Bateria recarregada em segundos: o carro elétrico do ano 1900

Tecnologia é retomada mais de 100 anos depois pela Universidade da Califórnia 

Carro elétrico 1900 / Imagem: Xataka México
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Em 1900, já existiam carros elétricos e também havia uma bateria que prometia recarga quase imediata. Essa ideia ficou pelo caminho devido aos limites técnicos da época. Hoje, ela retorna com outra base, porque pesquisadores coordenados pela Universidade da Califórnia em Los Angeles retomaram a química níquel-ferro de Edison e a levaram a um resultado muito diferente.

No início do século 20, os carros elétricos eram muito comuns nos Estados Unidos. O obstáculo não era a falta de interesse, e sim como transportar a energia. Thomas Edison estava em busca de uma bateria resistente, segura e durável, feita de níquel e ferro, materiais abundantes e estáveis.

Eletrico

Essa bateria buscava autonomias próximas de 160 quilômetros por recarga e uma vida útil maior do que a das baterias de chumbo-ácido. O motor de combustão avançou mais rapidamente e venceu a corrida industrial. A bateria de níquel-ferro ficou como uma tecnologia com potencial, mas sem o momento adequado.

Este novo trabalho não se apoia na nostalgia. Apoia-se em nanotecnologia simples e processos de baixo custo. O enfoque também muda a meta, porque essa química não pretende competir diretamente com o lítio dentro de um carro moderno.

A melhoria mais chamativa está na velocidade e na resistência ao desgaste. A bateria de níquel-ferro desenvolvida pela equipe pode ser carregada em segundos e suporta mais de 12.000 ciclos completos sem degradação apreciável. Esse número equivale a mais de 30 anos de uso diário.

Em densidade energética, ela não supera o lítio. Mas o ponto não é esse: a aposta está em responder rapidamente, durar décadas e manter seu desempenho estável, com menor pressão sobre materiais críticos.

Suporte a comunidades isoladas

Por isso, o melhor cenário parece ser o armazenamento estacionário. Energias renováveis que produzem excedentes durante o dia, redes elétricas que precisam de estabilidade à noite e centros de dados que exigem suporte imediato podem se beneficiar mais de uma bateria assim do que um carro que busca a máxima autonomia com o menor peso possível.

Também há uma vantagem ambiental e de fornecimento. Essa química evita o cobalto, reduz a dependência de lítio e se baseia em elementos menos escassos ou sensíveis a conflitos. Esse ponto é relevante, uma vez que a demanda global por baterias cresce ano após ano.

O processo de fabricação é descrito como direto e escalável, sem maquinário exótico nem etapas impossíveis de industrializar. Com essa base, a bateria pode servir como suporte em comunidades isoladas, infraestrutura crítica ou redes com picos de demanda, permitindo planejamento de longo prazo com uma vida útil de décadas.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka México.


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