Novo censo do Japão revela um dado alarmante: país perdeu três milhões de pessoas em cinco anos

No país residem 123 milhões de pessoas, o que reflete a maior queda desde que há registros

Japão
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

2018 publicaciones de Victor Bianchin

Três milhões de pessoas equivalem (mais ou menos) à população da Armênia, de Porto Rico ou da Mongólia. E também ao buraco que as autoridades japonesas acabaram de encontrar ao apurar a nova edição de seu censo nacional — uma tarefa realizada a cada cinco anos para ter uma visão precisa da demografia do país.

A última vez em que havia feito esse levantamento, em 2020, o governo contabilizou 126,1 milhões de residentes entre população nativa e estrangeira. Agora, o número mal passa de 123 milhões, o que representa uma queda de 2,45% em cinco anos e, pior ainda, devolve a população japonesa a um tamanho aproximado ao de 1989.

A pergunta que cada vez mais pessoas fazem é: esse retrocesso tem um limite ou se cumprirão as projeções que preveem uma queda populacional para 87 milhões de habitantes em 2070?

O problema em detalhes

A crise demográfica com a qual o Japão vem lidando há décadas está cada vez mais profunda. Apesar de todos os esforços para reverter essa queda (e não foram poucos), a população japonesa não para de encolher. O último sinal de alerta vem do relatório quinquenal sobre população e domicílios da Agência de Estatísticas do Japão, que mostra que, em 2025, viviam no país 123.049.524 pessoas, incluindo tanto nativos quanto estrangeiros residentes.

É um dado péssimo. Para começar, são 3.096.575 pessoas a menos do que as contabilizadas no último censo, de 2020. Se essa queda de 2,45% já não fosse suficiente, a revisão dos arquivos da Agência de Estatísticas do Japão (SBJ) traz uma leitura ainda mais sombria: trata-se da terceira queda consecutiva e agrava o retrocesso registrado entre 2015 e 2020, quando já havia sido anotada uma queda de 0,7%. Desde que os funcionários japoneses começaram a elaborar o censo, em 1920, nunca haviam documentado uma queda tão acentuada quanto a de 2025.

O problema se estende também à imensa maioria do território. O censo da SBJ mostra que, das 47 províncias do Japão, 45 perderam população no último quinquênio. Em alguns casos, as quedas são extremamente acentuadas, como em Hokkaido, que tem 239 mil habitantes a menos do que em 2020, Shizuoka (164 mil) e Hyogo (141 mil). Outros territórios que haviam ganhado população em 2020 agora passaram a integrar a lista negativa.

No polo oposto estão Tóquio e Okinawa, que ganharam, respectivamente, 199 mil e 1.000 habitantes.

Afastando-se do pico

Os dados da SBJ deixam poucas leituras positivas. Eles não apenas afastam cada vez mais o Japão do pico de 2008, quando atingiu 128 milhões de habitantes, mas também mostram que o país está se aproximando dos piores cenários projetados pelo Instituto Nacional de Pesquisa sobre População (IPSS), que estima que, em 2070, o número de habitantes cairá para 87 milhões e a população com mais de 65 anos representará quase 40% do total.

O problema não é apenas a perda populacional ou o envelhecimento em si, mas as implicações disso para a economia, a saúde, a defesa e, em geral, o estado de bem-estar japonês. Há quem alerte que a redução de moradores já está afetando a economia do país, que, entre outras coisas, já enfrenta milhões de casas vazias, escolas sem alunos sendo obrigadas a se transformar em fábricas e o fechamento (e falência) de centros de saúde.

O mais grave não é que o Japão esteja perdendo população, mas sim que isso ocorre apesar de todos os esforços do governo para conter o verdadeiro problema do país: o alarmante colapso da taxa de natalidade.

Os últimos dados oficiais sobre o tema, de apenas alguns meses atrás, mostram que o número de nascimentos caiu até atingir mínimos que as autoridades não esperavam ver até 2042. Nesse contexto, ao Japão parece restar apenas o recurso da imigração, que entra em choque com o avanço de formações políticas que defendem o contrário. Apesar do aumento nos últimos anos, estima-se que os estrangeiros representem menos de 3% da população.

“O Japão chegou a um ponto em que esse tipo de declínio não é reversível no curto nem no médio prazo”, alerta ao The New York Times James Raymo, da Universidade de Princeton. “Simplesmente não veremos uma imigração em massa.” O caso japonês é interessante porque, segundo ele, não reflete uma tendência exclusiva do país. “Cada vez mais nações da Ásia e de outras partes do mundo vão experimentar níveis de declínio demográfico semelhantes. O Japão simplesmente está na vanguarda e está nessa situação há muito mais tempo”.

O mais curioso (ou não) é que, enquanto a maior parte do país está se despovoando e envelhecendo, na área de Tóquio a tendência é diametralmente oposta. O censo da Agência de Estatísticas do Japão (SBJ) também mostra que, na região metropolitana de Tóquio, a população residente aumentou até chegar a cerca de 37 milhões de pessoas, o equivalente a 30% de todo o país.

De fato, na capital, a densidade populacional multiplica em muito a média japonesa: cerca de 6.400 pessoas por quilômetro quadrado, enquanto no conjunto do Japão são pouco mais de 300.

Imagens | Jezael Mendoza (Unsplash) 1 

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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