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A tecnologia falhou? O motivo bizarro que fez a Waymo pagar humanos para algo muito específico

Robô no volante, inteligência artificial em todo lugar e, no fim, quem salva o dia ainda é gente de carne e osso

Crédito de imagem: Xataka Brasil
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João Paes

Redator
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João Paes

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Escreve sobre tecnologia, games e cultura pop há mais de 10 anos, tendo se interessado por tudo isso desde que abriu o primeiro computador (há muito mais de 10 anos). 

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Prometeram um futuro sem motoristas, com carros autônomos deslizando pelas cidades enquanto a tecnologia cuidava do resto. A Waymo — divisão de robotáxis do Google — é um dos nomes mais avançados nesse jogo. Só que a realidade insiste em ser menos glamourosa do que o marketing. E, como agora, quase cômica.

De acordo com o Washington Post, a Waymo precisa contratar pessoas para uma tarefa… inesperada: fechar portas. Isso mesmo. Passageiros descem do robotáxi e simplesmente vão embora sem garantir que a porta encostou. Como os carros não podem rodar com a porta aberta, eles ficam parados, travando ruas — e alguém precisa ir lá resolver.

Esses “salva-portas” recebem chamadas por um app de guincho, o Honk, e podem ganhar mais de US$ 20 por porta fechada. Parece fácil? Nem tanto. A Waymo não revela exatamente onde o carro está, então o trabalhador pode passar de 10 minutos a uma hora caçando o veículo perdido na cidade. E, quando é preciso rebocar, entra um guincho — caro — para um pagamento que, muitas vezes, fica entre US$ 60 e US$ 80.

Enquanto isso, a própria Waymo tenta improvisar soluções. Se o carro fica parado esperando, ele passa a tocar uma mensagem no alto-falante pedindo para alguém, qualquer um, dar uma ajudinha e fechar a porta. Não há recompensa, não há cadastro — só o desespero coletivo de quem quer o trânsito andando.

E não é só porta. Há casos em que os robotáxis ficam sem carga antes de chegar ao carregador. Outros simplesmente congelam, como aconteceu durante uma grande queda de energia em San Francisco. Em teoria, os veículos sabem lidar com semáforos apagados. Na prática, precisam “ligar” para operadores humanos e confirmar se é seguro avançar. Com dezenas pedindo ajuda ao mesmo tempo, formou-se um gargalo: carros parados, cruzamentos bloqueados e guinchos correndo de um lado para o outro.

A Waymo diz que são incidentes raros — e provavelmente são. Blackouts massivos não acontecem todo dia; passageiros esquecidos também não. Mas o fato é que até os sistemas mais sofisticados dependem, e muito, de apoio humano.

No futuro, talvez portas automáticas (como já existem em diversos modelos) e algoritmos melhores resolvam isso. Por enquanto, a revolução autônoma continua com uma ajuda do bom e velho ser humano.



Crédito de imagem: Xataka Brasil

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