Três robôs foram colocados para explorar uma caverna formada por erupções vulcânicas;  o objetivo? Facilitar a exploração de Marte

Essas cavernas, no espaço, servirão como proteção contra temperaturas extremas, radiação e meteoritos

Robôs em cavidade vulcânica / Imagem: dfki
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Enquanto a missão Artemis II tem como objetivo levar o ser humano de volta à Lua após mais de meio século, as agências espaciais continuam pesquisando como chegar a outros planetas — e, nesse cenário, a robótica espacial é essencial, porque o espaço em geral e lugares como Marte são extremamente inóspitos para a vida.

Assim, um grupo de pesquisa europeu, do qual participam, entre outras entidades, a Agência Espacial Europeia, introduziu um sistema robótico autônomo dentro de um tubo de lava vulcânica na ilha de Lanzarote (Espanha), conforme registrado em um artigo publicado na revista Science Robotics. Um tubo de lava vulcânica é uma caverna natural formada por antigos fluxos de lava durante erupções vulcânicas. As conclusões aproximam a humanidade de uma futura colonização da Lua ou de Marte.

O contexto

Nem Marte nem a Lua possuem uma superfície plana e desértica; são mundos vulcânicos com cavidades subterrâneas formadas há milhões de anos por lava líquida. E não estamos falando de pequenas cavidades: há espaço suficiente para caber uma cidade inteira, já que a baixa gravidade permite estruturas com dimensões de quilômetros, como explica o estudo.

As cavernas estilo “tubo de lava” estão presentes na Lua, em Marte e também na Terra. Sem ir muito longe, é possível encontrar alguns no Havaí ou nas Ilhas Canárias — justamente onde foi realizada a pesquisa. A caverna de La Corona, em Lanzarote, possui trechos que chegam a 30 metros de largura e altura — ou seja, trata-se de uma caverna do tamanho de uma catedral.

Por que isso é importante? Porque o ambiente espacial é hostil: há temperaturas extremas, radiação e chuva de meteoritos — uma combinação severa que dificulta a existência de vida ou mesmo o estabelecimento de uma futura base para a civilização humana. Por outro lado, se ainda restar algum vestígio de vida ou água congelada, essas cavernas são o local ideal para procurá-los.

Essas estruturas são estratégicas porque funcionam como blindagem natural contra a radiação ionizante, os fluxos térmicos extremos e os meteoritos. Por isso, a próxima geração de robôs terá como missão explorar esses tubos de lava subterrâneos em Marte e na Lua para verificar quais são suas condições.

Quem já esteve em Lanzarote sabe que há paisagens que parecem saídas do espaço exterior. É ali que se encontra o tubo de lava de La Corona, para onde três robôs diferentes, com funções distintas, iniciaram sua missão de caracterização — sem GPS e sem luz solar:

  • O vigia permanece do lado de fora, mapeando a entrada.
  • O explorador é essencialmente um cubo repleto de câmeras que é lançado no interior do buraco para observar antes de todos.
  • O espeleólogo desce de rapel para se aprofundar na escuridão a 235 metros de profundidade.

Realizar um mapeamento 3D à medida que os robôs avançavam era apenas um dos objetivos dessa missão, liderada na parte técnica pelo Centro Alemão de Inteligência Artificial. Mas tão importante quanto o “o quê” é o “como”: os robôs não foram controlados por um controle remoto e sim operaram de forma autônoma, tomando decisões próprias durante o percurso. Seu desempenho em tarefas colaborativas é fundamental, já que, no espaço, o sinal de rádio leva minutos para chegar da Terra.

O teste de robótica espacial heterogênea e cooperativa foi um sucesso, embora ainda haja margem para melhorias na navegação sem luz e na forma como os sensores respondem às interferências do ambiente.

Imagem: dfki

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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