Outra forma evidente do aquecimento global: a água da torneira em uma cidade norueguesa tornou-se imprópria para consumo devido à presença de metais pesados

Degelo do permafrost alterou a composição química da água em Longyearbyen

Longyearbyen
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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

Redatora

O aquecimento global está afetando até mesmo algumas das regiões mais frias do planeta. Em Longyearbyen, no arquipélago norueguês de Svalbard, a água da torneira se tornou imprópria para consumo após o degelo do permafrost, solo que permanecia congelado durante longos períodos.

Svalbard está entre as regiões que aquecem mais rapidamente no mundo. Nas últimas décadas, o aumento das temperaturas tem alterado o ambiente local e provocado mudanças que afetam diretamente a população, incluindo a qualidade da água potável.

Degelo do permafrost contamina a água potável

Longyearbyen tem cerca de 2.600 habitantes. Em setembro de 2025, análises identificaram concentrações de manganês na água até 25 vezes superiores ao limite recomendado pelo Instituto Norueguês de Saúde Pública.

Embora os níveis desse metal tenham diminuído posteriormente, a água passou a apresentar quantidades excessivas de níquel e sulfato, mantendo a restrição ao consumo.

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O problema está relacionado ao degelo do permafrost, uma camada de solo que permanece congelada por pelo menos dois anos consecutivos. Com o aumento das temperaturas, o descongelamento altera as reações químicas no solo e pode liberar substâncias presentes nas rochas para a água subterrânea.

O abastecimento de Longyearbyen depende de um lago próximo, que recebe água da chuva, de fontes superficiais e de águas subterrâneas. Quando o permafrost descongela, a composição química dessas águas pode mudar, dificultando o tratamento necessário para torná-las seguras para consumo.

Como o solo libera metais pesados na água

O solo da região contém xisto e pirita, um mineral composto por ferro e enxofre. Quando a pirita entra em contato com água e oxigênio, ocorre uma reação de oxidação que pode produzir ácido. Esse processo favorece a liberação de metais presentes nas rochas, que acabam chegando à água.

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A especialista em permafrost Marjolaine Verret explicou ao jornal The Guardian que essa reação pode fazer com que metais pesados sejam liberados das rochas para a água. O fenômeno ajuda a explicar por que o degelo pode comprometer fontes de água doce mesmo em regiões pouco povoadas e distantes de grandes centros industriais.

Moradores dependem de alternativas para obter água potável

Enquanto o abastecimento não é normalizado, as autoridades instalaram um reservatório de água potável para atender à população. 

A medida busca garantir o acesso à água segura enquanto são estudadas soluções permanentes para o problema. O excesso de manganês pode afetar o sistema nervoso, especialmente quando a exposição é prolongada. O níquel também pode representar riscos à saúde, enquanto os sulfatos podem alterar o gosto e provocar um odor desagradável na água.

Entre as alternativas avaliadas estão a instalação de um novo sistema de filtragem e a dessalinização da água captada no lago. A implementação, porém, enfrenta dificuldades devido às temperaturas extremamente baixas que predominam durante boa parte do ano.

O prefeito de Longyearbyen, Terje Aunevik, afirmou ao The Guardian que instalar e manter esse tipo de estrutura representa um desafio para a localidade. A recuperação do abastecimento deve exigir investimentos elevados, além de adaptações às condições climáticas da região.

Imagens: Shutterstock

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