Em uma montanha congelada no extremo norte do planeta existe um lugar que parece saído de um filme de ficção científica: um bunker cercado por gelo permanente, protegido por portas blindadas e mantido a -18 °C. Mas, diferente de obras cinematográficas sobre o fim do mundo, o que está guardado ali não são armas, ourom nem documentos super secretos — são milhões de sementes organizadas para preservar a alimentação humana em cenários extremos.
Conhecido como “cofre do fim do mundo”, o Svalbard Global Seed Vault funciona como um armazém agrícola. Em caso de guerras, desastres climáticos, colapsos ambientais ou falhas em bancos genéticos pelo planeta, ele existe para garantir que espécies fundamentais para a produção de alimentos não desapareçam para sempre.
Onde fica o cofre global de sementes de Svalbard
O cofre fica no arquipélago de Svalbard, território da Noruega localizado a cerca de mil quilômetros do Polo Norte. A estrutura foi construída dentro de uma montanha na ilha de Spitsbergen, em uma região de permafrost — um tipo de solo que é naturalmente congelado de forma permanente.
Svalbard ao centro do mapa. Foto: Reprodução/Google Maps
Além do frio extremo, a localização oferece isolamento geográfico, baixa atividade sísmica, estabilidade política e altitude suficiente para reduzir riscos ligados ao aumento do nível do mar.
Bunker foi construído em solo permafrost a 1000km do Polo Norte. Foto: Riccardo Gangale/Svalbard Global Seed Vault
Bunker armazena milhões de sementes
Hoje, o Svalbard Global Seed Vault guarda mais de 1,3 milhão de amostras de sementes enviadas por quase todos os países do planeta. Cada amostra pode conter centenas de sementes de uma mesma variedade agrícola.
Basicamente, o sistema funciona como um cofre bancário: cada nação deposita suas caixas lacradas e apenas ela pode solicitar a retirada do conteúdo futuramente.
A capacidade total do bunker chega a cerca de 4,5 milhões de variedades agrícolas — espaço suficiente para armazenar bilhões de sementes.
Sementes são armazenadas em embalagens laminadas de plástico e sacos herméticos de alumínio vedadas à vácuo. Foto: Riccardo Gangale/Svalbard Global Seed Vault
Dentro do bunker é possível encontrar diversos tipos de culturas essenciais para a sobrevivência humana, como arroz, trigo, milho, feijão e batata, além de espécies regionais, fundamentais para comunidades locais.
O Brasil também participa da iniciativa, com sementes de arroz, feijão, caju, maracujá e espécies usadas na alimentação animal.
Como funciona a conservação das sementes a -18 °C
O acesso ao cofre acontece por um túnel escavado na rocha com cerca de 125 metros de profundidade. No final dele existem três grandes câmaras de armazenamento, protegidas por várias portas de segurança.
As sementes ficam lacradas em embalagens especiais, organizadas em caixas etiquetadas e armazenadas em prateleiras metálicas. O ambiente interno permanece constantemente em torno de -18°C, com baixa umidade e ausência de luz — condições ideais para desacelerar o metabolismo das sementes e aumentar sua longevidade.
Sementes são categorizadas e armazenadas em uma temperatura de -18ºC. Foto: Matthias Heyde/Svalbard Global Seed Vault
Algumas espécies podem sobreviver por séculos nessas condições. O trigo, por exemplo, pode permanecer viável por mais de mil anos.
Apesar do apelido “cofre do fim do mundo”, o local não funciona e nem existem planos para que funcione como um abrigo para pessoas. Ele é de uso exclusivo para a preservação agrícola.
Guerra na Síria ocasionou a primeira retirada de sementes do cofre
Em 2015, durante a guerra na Síria, um importante banco genético localizado na região foi danificado pelo conflito, comprometendo pesquisas agrícolas essenciais para áreas áridas.
Com isso, cientistas precisaram recorrer às unidades armazenadas em Svalbard para reconstruir parte do acervo perdido. Foi a primeira vez que sementes armazenadas no cofre foram retiradas de lá e usadas para restaurar um banco genético destruído.
Foto de capa: NordGen
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