A cidade na Noruega onde "é proibido morrer": por causa do frio congelante que impede a decomposição do solo, o cemitério local foi fechado e doentes em estado terminal precisam ser levados para fora da ilha

Em Longyearbyen, o permafrost impede enterros tradicionais e a estrutura de saúde não oferece cuidados de longa duração

Longyearbyen
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Natália P. Martins

Redatora

No extremo norte da Noruega, existe uma cidade que ganhou a fama de ser um lugar onde "é proibido morrer". Trata-se de Longyearbyen, no arquipélago de Svalbard, onde o frio e as características do solo fizeram enterros tradicionais em caixões serem proibidos.

Permafrost impede decomposição dos corpos

Grande parte do território de Svalbard é coberta por permafrost, uma camada de solo que permanece congelada por longos períodos. Nessas condições, corpos enterrados não se decompõem normalmente.  

O antigo cemitério de Longyearbyen foi utilizado entre 1918 e 1950 e recebeu 44 pessoas. Depois, as autoridades constataram que os corpos não estavam se decompondo normalmente por causa do solo congelado.

Desde então, os corpos de pessoas que morrem na região passaram a ser levados para o continente norueguês. Atualmente, a regulamentação local de Svalbard permite apenas sepultamentos de urnas, mas não de corpos em caixões.  

O caso também ganhou atenção por causa de vítimas da pandemia de gripe de 1918 enterradas no local. Em 1998, pesquisadores exumaram corpos de pessoas que morreram durante a epidemia e encontraram material viral preservado, o que ajudou estudos científicos sobre o vírus.

Apesar de não permitir o uso de caixões, a regulamentação norueguesa garante o direito a uma sepultura em Longyearbyen para moradores de Svalbard que optem pelo sepultamento em urnas.

Shutterstock 2577463465 Cidade convive com terreno permafrost. Foto: Shutterstock

Longyearbyen também não oferece cuidados de longa duração

Outro motivo para a fama de que ninguém pode "morrer" na cidade é que Longyearbyen possui apenas um hospital — com estrutura médica limitada em comparação à disponível no continente.

O Hospital de Longyearbyen possui seis leitos para internação e observação e mantém atendimento de emergência 24 horas por dia. Casos que não podem ser tratados localmente são transferidos para outro hospital no continente norueguês.

O governo norueguês classifica a comunidade como "não sendo uma sociedade do berço ao túmulo". Por isso, não existem serviços de assistência de longa duração — como atendimento domiciliar permanente, casas de repouso ou cuidados continuados. 

Pessoas que precisam desses serviços precisam migrar para seus municípios de origem ou no continente. Isso inclui situações em que um morador desenvolve uma doença grave e precisa de acompanhamento especializado ou cuidados que ultrapassam a capacidade da estrutura local.

Por que dizem que "é proibido morrer"?

Na verdade, pessoas podem morrer em Longyearbyen. A diferença é que, quando alguém precisa de atendimento médico que não está disponível na cidade, o paciente, na maioria das vezes, é transferido para o continente. Da mesma forma, os corpos não são normalmente enterrados em caixões no solo local.

A própria regulamentação descreve que a questão é administrativa e sanitária, e não uma proibição da morte. 

Svalbard também abriga um cofre contra o apocalipse

Além da peculiaridade acerca do fim da vida, o arquipélago de Svalbard também abriga o Banco Mundial de Sementes, uma instalação construída dentro de uma montanha para preservar amostras de cultivos agrícolas de diferentes partes do mundo.

O depósito foi projetado como uma espécie de reserva genética para proteger a diversidade agrícola diante de guerras, desastres naturais, mudanças climáticas e outras ameaças. As sementes ficam armazenadas em condições de baixa temperatura dentro da montanha.

Imagem de capa: Shutterstock


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