Respirar é um ato automático e fundamental para a sobrevivência, mas ele pode estar levando muito mais do que oxigênio para os nossos pulmões. Pesquisas conduzidas por cientistas da Universidade de São Paulo (USP) mostram que microplásticos já circulam na atmosfera e acabam sendo inalados diariamente pela população. Os fragmentos já foram identificados em pulmões humanos, enquanto estudos laboratoriais mostram que eles podem provocar lesões celulares e processos inflamatórios. Apesar dos avanços, os pesquisadores ressaltam que ainda não há respostas definitivas sobre os efeitos da exposição prolongada nem sobre a quantidade necessária para causar danos à saúde.
Microplásticos já estão espalhados pelo ambiente — e existem dois tipos principais
Os microplásticos são um dos maiores desafios ambientais de hoje. Essas partículas com menos de 5 milímetros estão presentes no solo, na água e também no ar que respiramos, resultado da enorme quantidade de resíduos plásticos produzidos e descartados em todo o mundo. Invisíveis a olho nu na maior parte dos casos, eles conseguem permanecer suspensos na atmosfera e acabam sendo inalados pelas pessoas. Essas partículas são classificadas em duas categorias principais:
- Microplásticos primários: produzidos intencionalmente em tamanho microscópico para aplicações específicas, como cosméticos, produtos de higiene e processos industriais;
- Microplásticos secundários: surgem da fragmentação de objetos plásticos maiores ao longo do tempo, como embalagens, pneus, roupas sintéticas, cordas e redes de pesca.
Além disso, fibras liberadas por tecidos de poliéster, nylon e acrílico, bitucas de cigarro e alguns produtos de cuidados pessoais também estão entre as fontes mais comuns dessas partículas no meio ambiente.
Estudos apontam lesões celulares, mas os impactos na saúde ainda estão sendo investigados
A principal preocupação dos pesquisadores é a inalação dessas partículas. Em um dos primeiros estudos brasileiros sobre o tema, pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP encontraram microplásticos em pulmões humanos, confirmando que eles conseguem alcançar o sistema respiratório.
Segundo a patologista Thais Mauad, coordenadora da pesquisa, experimentos realizados com culturas celulares que simulam tecidos humanos indicam que esses fragmentos podem provocar lesões nas células e desencadear processos inflamatórios. Os cientistas também investigam o potencial tóxico associado aos aditivos químicos presentes nos plásticos.
Ainda assim, a ciência ainda tem muita cautela em relação aos efeitos da inalação de microplásticos. Os pesquisadores afirmam que ainda não é possível determinar qual quantidade de microplásticos seria suficiente para provocar lesões graves nem compreender totalmente os efeitos da exposição contínua ao longo dos anos. Revisões científicas também destacam que os riscos respiratórios permanecem incertos, embora existam evidências de que essas partículas possam afetar não apenas os pulmões, mas também outros sistemas do organismo.
Reduzir o contato com plásticos no dia a dia é a principal estratégia de combate
Substitua utensílios de plástico desgastados por madeira, vidro ou aço inox
Eliminar completamente a exposição aos microplásticos é praticamente impossível, já que eles já estão disseminados pelo ambiente. Porém, há formas de evitá-lo: especialistas afirmam que algumas mudanças de hábito podem reduzir significativamente esse contato. Entre as principais recomendações estão:
- Evitar aquecer alimentos em recipientes plásticos, optando por vidro ou cerâmica;
- Substituir utensílios de plástico desgastados por madeira, vidro ou aço inox;
- Preferir roupas feitas com fibras naturais, como algodão e linho;
- Lavar peças sintéticas com menos frequência e utilizar filtros ou sacos específicos para reter microfibras;
- Escolher cosméticos livres de microesferas plásticas e verificar a composição dos produtos;
- Reduzir o consumo de plásticos descartáveis e priorizar a reutilização e a reciclagem.
Embora essas medidas não eliminem totalmente a exposição, elas ajudam a diminuir a liberação de novas partículas no ambiente e reduzem o contato diário com o poluente.
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