Uma descoberta extraordinária feita no sudoeste da China está obrigando cientistas a repensar quando surgiram os primeiros animais complexos da Terra. Fósseis recém-analisados revelam um ecossistema surpreendentemente diverso que existia antes do famoso “Explosão Cambriana”, evento que tradicionalmente marca o surgimento da maioria dos grandes grupos animais.
Os fósseis foram encontrados na chamada biota de Jiangchuan, na província de Yunnan, e datam de aproximadamente 554 a 539 milhões de anos. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Oxford e da Universidade de Yunnan (link no primiero parágrafo), mostra que muitos tipos de animais considerados típicos do período Cambriano já existiam milhões de anos antes.
Durante décadas, os cientistas acreditaram que a explosão de diversidade animal começou por volta de 535 milhões de anos atrás, quando organismos mais complexos passaram a dominar os oceanos. Mas os novos fósseis sugerem que essa transformação começou pelo menos quatro milhões de anos antes, no final do período Ediacarano.
Um ecossistema estranho e inesperado
Os pesquisadores coletaram mais de 700 fósseis no local, revelando uma comunidade marinha rica e variada. Entre os organismos identificados estão possíveis parentes antigos de estrelas-do-mar, vermes marinhos e até ancestrais distantes dos animais com coluna vertebral, grupo que inclui peixes e seres humanos.
Algumas das criaturas possuem estruturas corporais incomuns, como tentáculos, discos de fixação no fundo do mar e sistemas de alimentação complexos. Muitas apresentam combinações de características que não se encaixam perfeitamente em nenhum grupo moderno conhecido.
Esses organismos viveram em um momento de transição evolutiva, quando o estranho mundo do Ediacarano estava gradualmente dando lugar às formas de vida mais reconhecíveis do Cambriano.
Outro aspecto crucial da descoberta é o tipo de preservação dos fósseis. Diferente de muitos sítios do período, onde os organismos aparecem apenas como marcas simples na rocha, os fósseis de Jiangchuan foram preservados como filmes de carbono, o que permite observar detalhes como estruturas internas e partes do sistema digestivo.
Para os cientistas, isso pode explicar por que evidências semelhantes não haviam sido encontradas antes: comunidades comparáveis podem ter existido em outros lugares, mas simplesmente não foram preservadas nas rochas.
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