Usuários chineses adotam plataformas “alternativas” para driblar firewall do governo e acessar ChatGPT

Mercado de shadow APIs, com servidores fora da China, virou solução para quem quer acessar as IAs dos EUA

ChatGPT na China
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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Na China existe o que popularmente é conhecido como o “Grande Firewall”, uma grande barreira de segurança que impede seus cidadãos de acessar determinados serviços. Ao mesmo tempo, há empresas estrangeiras que bloqueiam seus serviços no país, como acontece com a OpenAI e seu ChatGPT. Mas, como sempre, dá-se um jeitinho.

Como relata o South China Morning Post, existe todo um mercado em expansão de serviços no país que prometem fornecer acesso a modelos de IA estadunidenses, como Claude e Gemini, driblando as restrições impostas. Em plataformas de comércio online como Taobao ou Xianyu, são vendidas assinaturas ilimitadas de Claude Code, Gemini e ChatGPT com baixa latência e sem VPN.

Essas plataformas se tornaram uma solução para desenvolvedores chineses que querem acessar modelos estadunidenses para programar, depurar ou usar serviços de geração multimídia.

O acesso é feito por meio do que se conhece como shadow APIs, que, em essência, funcionam como intermediárias. O que fazem é montar servidores proxy fora da China e desviar por ali todas as solicitações dos usuários, de modo que esses servidores externos sejam os que realmente chamem as APIs oficiais de modelos como Claude ou Gemini e depois devolvam a resposta “mascarada” como se fosse um serviço local.

Vale a pena para eles

Segundo os desenvolvedores citados na reportagem do South China Morning Post, eles recorrem a essas shadow APIs porque, simplesmente, consideram que são ferramentas claramente superiores à oferta local. Isso se traduz em código mais preciso, menos alucinações e menos tempo corrigindo bugs do que com modelos chineses, que, segundo relatam, ainda inventam funcionalidades ou falham com mais frequência. Além disso, esses serviços lhes dão acesso quase completo a modelos como Claude Opus ou Gemini, com janelas de contexto enormes (até um milhão de tokens), sem precisar lidar com VPNs nem métodos de pagamento estrangeiros.

Mas também há anúncios que não cumprem o que prometem. Alguns desses serviços anunciam acesso total a modelos como Claude, mas, na realidade, estão processando as solicitações com modelos chineses mais baratos, como Qwen e MiniMax. Além disso, existe o risco para a privacidade, já que todo o tráfego passa por um intermediário anônimo que pode fazer o que quiser com dados, muitas vezes sensíveis.

Imagem | Xataka

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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