Um jovem de 19 anos hackeou o iPhone, foi contratado pela Apple e acabou demitido por não responder a um e-mail

Comex criou o primeiro jailbreak amplamente utilizado para o iPhone 4 

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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O iPhone está entre nós há quase 17 anos. Durante todo esse tempo, o telefone mudou muito, mas algumas coisas permaneceram praticamente intactas desde seu lançamento. Uma delas é o ecossistema fechado ao qual pertencem os produtos da Apple.

A companhia de Cupertino se esforça para manter um controle rígido sobre o que pode ser feito no iPhone. Mas, mesmo na primeira geração do aparelho, havia quem rejeitasse essa mecânica e oferecesse aos usuários uma alternativa: o jailbreak.

O jailbreak nada mais era do que um método que explorava certas vulnerabilidades do aparelho para remover as restrições impostas pela Apple. Assim, quem recorria a esse método tinha acesso a funções impensáveis (em troca de colocar sua segurança em risco), desde ajustes avançados até a possibilidade de instalar aplicativos de terceiros sem passar pela App Store (loja que não estava disponível no início e chegou em 2008 com o OS 2).

Um dos hackers que havia desenvolvido seu próprio jailbreak era Nicholas Allegra. O jovem de 18 anos conhecido na internet como “Comex” lançou o primeiro jailbreak disponível publicamente para o iPhone 4 em 2010. Para isso, encontrou uma forma de explorar uma vulnerabilidade em uma biblioteca do Safari, de modo que seu método funcionava diretamente pelo navegador.

Comex continuou aprimorando sua habilidade de quebrar a segurança do telefone da Apple e, no ano seguinte, lançou o JailbreakMe 3.0, que funcionava em vários dispositivos iOS, incluindo o iPad 2. Nesse momento, a comunidade acreditava que Allegra estava “anos à frente” de outros hackers de iOS.

Mas, em 2011, sua realidade mudou radicalmente. O jovem passou de criador do JailbreakMe a fazer parte da Apple, a empresa que havia desafiado, como “estagiário remoto”. Não está claro como era a dinâmica entre a multinacional e o jovem, mas aquele vínculo não demorou muito para se desfazer.

Depois de quase um ano na Apple, em 2012 Allegra anunciou no Twitter que já não fazia parte da Apple. Em outro post, explicou que havia chegado àquela situação porque tinha “esquecido de responder a um e-mail”. O e-mail em questão era uma oferta para continuar contratado.

O estágio tinha duração de um ano e, aparentemente, a Apple pediu a Comex por e-mail que confirmasse se continuaria na empresa por mais um ano. Como não recebeu uma resposta, a companhia cancelou o contrato do hacker do iPhone e ele deixou de ser estagiário. Ainda assim, ele foi para o Google em 2013 e, depois, continuou trabalhando no setor de segurança.

Imagens | Unsplash

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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