Nos EUA, acabaram de fechar uma das montanhas-russas mais extremas do planeta; o motivo: mais de cem denúncias de lesões cerebrais

Quedas quase verticais, trechos a mais de 120 km/h e assentos que giram 360º: foi assim que a montanha-russa X2 ganhou fama

Nos EUA, acabaram de fechar uma das montanhas-russas mais extremas do planeta. O motivo: mais de cem denúncias de lesões cerebrais.
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Fabrício Mainenti

Redator

Durante anos, a montanha-russa X2, localizada no parque de diversões Six Flags Magic Mountain, na Califórnia, foi uma espécie de desafio definitivo para os amantes de atrações não recomendadas para cardíacos. E faz todo o sentido.

Uma queda inicial de 66 metros em um ângulo quase vertical, assentos que giram 360º sobre o próprio eixo, carrinhos que atingem 122 km/h e, no geral, quase 1,1 km de solavancos, subidas e descidas a uma velocidade alucinante. Esse cartão de visitas fez com que, desde 2008, mais de 16 milhões de pessoas enfrentassem filas para sentir a adrenalina na X2.

Apesar desse enorme sucesso, os responsáveis ​​decidiram desativá-la definitivamente. O motivo: dezenas de pessoas afirmam ter sofrido lesões após andar na atração. Algumas chegaram a entrar em coma ou faleceram.

Uma trajetória agitada

Embora a X2 tenha ganhado destaque principalmente nas últimas semanas, após uma reportagem da CNN alertar sobre seus riscos, a história dessa popular montanha-russa californiana é longa. E conturbada. Suas origens remontam a janeiro de 2002, quando foi inaugurada com o nome de X. Poucos meses depois, teve de fechar temporariamente para melhorias em seu projeto.

Em 2007, a direção do parque decidiu reformulá-la e, pouco depois, ela foi reaberta com o novo nome de X2. Mesmo assim, a CNN afirma que ela ficou "frequentemente fora de operação". Isso não impediu que, desde 2008, mais de 16 milhões de pessoas andassem em seus carrinhos, tornando-a uma das grandes atrações do Six Flags.

Compreensível. Existem muitas montanhas-russas, mas nenhuma como a X2. Dizem que existem apenas duas similares, ambas na Ásia, e uma delas fechou temporariamente no ano passado.

Jeremy Thompson (Flickr). Jeremy Thompson (Flickr)

É tão extrema assim?

A resposta é um sim categórico. De fato, ela era promovida justamente como um ritual de iniciação para "amantes de emoções extremas". Seu percurso total gira em torno de 1.100 metros e começa com uma queda vertiginosa de 66 metros em um ângulo quase vertical, o que explica por que, ao longo do trajeto, são atingidas velocidades superiores a 120 quilômetros por hora. Em certos momentos, chega até a quase 130 km/h.

No entanto, o maior atrativo da X2 não é o seu traçado ou a sua velocidade, mas sim o design dos assentos, projetados para girar 360º em torno do trilho. Ao contrário de outras atrações semelhantes, o corpo não avança de forma rígida sobre os trilhos; em vez disso, ele "vai girando durante todo o percurso".

Genialidade ou imprudência?

O Six Flags afirma que a X2 passou sistematicamente por todos os testes de segurança, mas, há algumas semanas, a CNN publicou uma reportagem detalhada apresentando outra perspectiva: três repórteres da emissora entrevistaram pessoas que sofreram lesões graves após andarem na montanha-russa. E não se trata de lesões cervicais (como o efeito "chicote") ou dores musculares passageiras.

A CNN reuniu relatos de casos de hemorragias cerebrais, hematomas subdurais e lesões traumáticas. Mais especificamente, o veículo documentou mais de uma dúzia de casos graves que resultaram em hospitalizações, invalidez permanente e, pelo menos, dois casos de coma e duas mortes. A reportagem cita os nomes completos das vítimas e entrevista os cirurgiões que as atenderam.

Jeremy Thompson (Flickr). Jeremy Thompson (Flickr)

"Eu a sacudia para que ela acordasse"

Uma das supostas vítimas que aceitou falar sobre sua experiência é Pamela Guillén, de 40 anos. Ela foi na X2 em julho, durante a comemoração do aniversário de sua filha, e, enquanto aproveitava a atração, bateu a cabeça várias vezes contra o encosto do assento. Quando quis descer, precisou de ajuda e vomitou. Pouco depois, perdeu a consciência.

"Eu esfregava a perna dela e a sacudia para que acordasse, mas ela não reagia", relata a filha. Ela sofreu um hematoma subdural grave e compressão cerebral, sendo intubada pouco depois em uma sala de cirurgia. Acordou duas semanas mais tarde, com 20 grampos no couro cabeludo. Conseguiu voltar a falar e a caminhar, embora ainda sofra fortes dores de cabeça e tome medicamentos para prevenir convulsões.

Síndrome do bebê sacudido

Dias depois de Pamela, Naomi Greer-Wilkinson, de 25 anos, também foi na X2. O resultado foi semelhante: perda de consciência, cirurgia cerebral e um coma do qual ela ainda não havia despertado no final de agosto, quando a CNN noticiou o caso.

O veículo cita outros dois incidentes que terminaram da pior maneira possível: com a morte dos pacientes. Um deles, de 22 anos e com boa saúde quando foi na X2, apresentava lesões semelhantes às da "síndrome do bebê sacudido", segundo o neurocirurgião que o operou.

A lista aumenta

Em setembro, após a reportagem da CNN e com a X2 no centro das atenções da mídia, mais usuários relataram ter sofrido lesões graves na atração. No final de setembro, a NBC News informou que mais de cem pessoas afirmam ter sofrido lesões nos últimos anos.

Mais recentemente, a BBC mencionou "centenas de denúncias", sem especificar se todas foram formalizadas na justiça. O escritório de advocacia Dordick Law Corporation, que participa de várias ações civis contra o parque de diversões, afirma que centenas de pessoas entraram em contato com a banca.

E ela se aposentou

Nesse contexto, há alguns dias, o Six Flags divulgou um comunicado anunciando a "aposentadoria da X2". Nele, Brian Oerding, responsável pelo Six Flags Magic Mountain, insiste que a montanha-russa passou "sistematicamente" pelas inspeções de segurança, mas acrescenta:

"Decidimos fechar a atração porque acreditamos ser a decisão correta. A segurança é um pilar fundamental. Quando a confiança dos nossos visitantes é afetada, levamos isso muito a sério".

Em seu comunicado, o parque não faz menção aos casos documentados pela CNN em agosto nem às denúncias posteriores de usuários que afirmam ter sofrido lesões. A empresa também não reconhece, na nota, que esses danos possam estar diretamente relacionados ao uso da montanha-russa.

The Fun Chronicles (Flickr) The Fun Chronicles (Flickr)

"Existem riscos"

No passado, quando usuários ou familiares relataram danos, os advogados da empresa argumentaram que, no parque de diversões, há placas alertando para a "existência de riscos inerentes" ao uso da X2 ou de outras atrações. No entanto, as pessoas afetadas insistem na parcela de responsabilidade da empresa.

"Há uma diferença entre ser sacudido e sofrer uma lesão cerebral", argumenta Guillén. Além da X2, existe um debate mais amplo que os médicos levantaram há algum tempo: o risco de que, ao buscar atrações cada vez mais extremas, levemos os usuários ao limite de sua capacidade de resistência.

Imagens | Jeremy Thompson (Flickr) 1, 2 e 3 e The Fun Chronicles (Flickr)

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