Astronautas passam muito tempo constipados; agora sabemos que tudo isso está relacionado a um problema mais sério

Tanta polêmica sobre a instalação de banheiros no espaço, e no fim descobrimos que quase não precisam deles

Imagens | NASA
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PH Mota

Redator
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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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As viagens espaciais podem ter muitos efeitos na saúde dos astronautas. Hoje sabemos que afetam os ossos, os olhos, o coração e até os rins, entre outros órgãos e sistemas. Também sabemos que os astronautas frequentemente têm problemas para ir ao banheiro. Isso não é surpreendente, já que a microgravidade retarda a descida dos alimentos pelos intestinos. O problema é que a constipação não é o único efeito dessa digestão mais lenta. Agora, um novo estudo sugere que existem outras consequências, muito mais prejudiciais. A boa notícia é que conhecê-las é o primeiro passo para evitá-las.

Muitas missões e muitos anos

Os autores deste novo estudo, da NASA e da Universidade de Copenhague, analisaram amostras de sangue de 52 astronautas que trabalharam em diversas missões entre 2006 e 2018. Esses astronautas participaram de três projetos diferentes que incluíam a coleta de amostras de sangue antes, durante e depois das missões.

Frequentemente, esse tipo de estudo se concentra em encontrar marcadores específicos no sangue. No entanto, neste caso, foi utilizada uma abordagem não direcionada, permitindo analisar uma gama muito mais ampla de metabólitos.

Fermentação de proteínas

As bactérias intestinais adoram açúcar. Quando consumimos carboidratos na forma de fibras, elas os decompõem em açúcares mais simples e os fermentam para obter energia. Esse é um processo natural que ocorre continuamente em nosso sistema digestivo e, desde que esteja em equilíbrio, é benéfico para nós. O problema é que, quando as fibras acabam, elas começam a fermentar proteínas. Isso não é tão positivo, já que alguns dos metabólitos resultantes dessa fermentação podem afetar negativamente a saúde.

Muitos desses metabólitos foram encontrados na análise do sangue dos astronautas no estudo. Segundo os autores, isso pode ocorrer porque, como os intestinos demoram mais para esvaziar, as fibras passam mais tempo em contato com as bactérias, facilitando sua metabolização. Esse é um dos efeitos da microgravidade no sistema digestivo, semelhante à constipação.

Curiosamente, tudo isso é observado logo após os astronautas chegarem ao espaço. Os metabólitos aumentam rapidamente no sangue e depois permanecem mais ou menos estáveis, normalizando-se alguns dias após o retorno à Terra.

Consequências

De acordo com pesquisas anteriores, os metabólitos produzidos durante a fermentação de proteínas podem afetar o cérebro, causando ansiedade e redução da concentração. Além disso, também podem afetar os rins. As viagens espaciais são especialmente desgastantes para a saúde mental, e já foi demonstrado que podem ter consequências para os rins, portanto, esses sintomas podem ser particularmente graves.

É preciso encontrar soluções

Os autores do estudo acreditam que tudo isso pode ser prevenido, pelo menos em parte. Embora sejam necessárias mais pesquisas para encontrar as melhores opções, esses cientistas acreditam que métodos como aumentar a proporção de fibras na dieta dos astronautas, incluir suplementos prebióticos ou qualquer outro tratamento que promova o trânsito intestinal podem ser utilizados.

No Céu e na Terra

Os autores deste estudo acreditam que ele também pode ter aplicações na Terra, já que a microgravidade não é a única condição para que essa fermentação de proteínas ocorra. Por exemplo, pessoas que passam muito tempo na cama devido a doenças também podem sofrer com a lentidão digestiva causada pelo consumo total de fibras pela microbiota intestinal. O que funciona para os astronautas também pode funcionar para nós. E o fato é que muitas das pesquisas realizadas no espaço também têm aplicações em nosso planeta.

Imagens | NASA

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