Para impedir Apple de recorrer aos fabricantes chineses, Samsung coloca suas fábricas de DRAM para operar a todo vapor

Há semanas circulam rumores de que a Apple não teria objeções em incluir a CXMT entre seus fornecedores

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A situação da memória DRAM na indústria de semicondutores saiu completamente do controle. A demanda dos hiperescaladores e dos data centers faz com que a maior parte da produção de chips de memória de Micron, Samsung e SK Hynix seja destinada a atender às necessidades da inteligência artificial, deixando o mercado de consumo em segundo plano.

Isso não é novidade, já que falamos sobre esse problema — e reclamamos dele — há meses. Também comentamos sobre a construção de novas fábricas para atender à enorme demanda, mas essas instalações estavam voltadas justamente para produzir ainda mais memória destinada aos data centers que vinham causando esse gargalo.

A situação ficou tão extrema que fabricantes de eletrônicos de consumo começaram a olhar para empresas chinesas como a CXMT e a YMTC. Diante disso, a Samsung decidiu ampliar sua produção de DRAM convencional. O motivo? A Apple não pode migrar para fornecedores chineses.

Salvar a Apple

Apesar da situação atual, a indústria precisa continuar funcionando. Embora algumas fabricantes possam ficar pelo caminho devido aos altíssimos preços da memória RAM — que as obrigam a aumentar os preços para o consumidor, correndo o risco de que ele não aceite pagar mais —, a Apple é uma das empresas que certamente continuará lançando novos dispositivos.

Embora o iPhone 18 seja esperado apenas para o início de 2027, a expectativa é que, já em setembro, a empresa apresente pelo menos o iPhone 18 Pro e o iPhone dobrável. O preço de ambos ainda é incerto, mas é evidente que eles precisarão de memória RAM e armazenamento. Esses são justamente os dois componentes mais difíceis de obter no momento e a Apple já demonstrou diversas vezes que não hesita em aumentar os preços quando considera necessário.

Mas, para manter seus produtos no mercado, a empresa precisa garantir o fornecimento de componentes. Se a produção de Samsung, SK Hynix e Micron não for suficiente, a fabricante do iPhone inevitavelmente buscará outros fornecedores — e esses podem ser os fabricantes chineses. Em especial a CXMT, que, nos últimos anos, deu grandes passos no aprimoramento dos processos de fabricação de memória RAM. Há semanas circulam rumores de que a Apple não teria objeções em incluir a empresa entre seus fornecedores.

A CXMT certamente ficaria satisfeita com essa possibilidade. No entanto, nos EUA, há quem afirme que a Apple poderia enfrentar problemas caso adotasse a fabricante chinesa como fornecedora e que toda essa movimentação não passaria de uma estratégia para conseguir preços melhores junto aos parceiros tradicionais, como a Samsung. Seja uma tática de negociação ou não, tudo indica que ela já deu resultado. Segundo o Sedaily, a Samsung está ampliando suas instalações em Hwaseong para aumentar a produção de DRAM convencional.

Essa unidade será voltada para memórias DDR destinadas ao mercado de consumo e LPDDR para dispositivos móveis. De acordo com o veículo sul-coreano, a expansão permitirá que a Samsung aumente sua capacidade de produção de DRAM convencional em aproximadamente 15% até o fim de 2026. É um recado claro para a Apple: "Nós conseguiremos fornecer a DRAM de que você precisa, então pare de olhar para a China".

No momento, as receitas da Samsung estão em alta graças ao impulso da indústria de IA. Mas, se essa demanda diminuir e o mercado voltar ao normal, não seria nada desejável que um de seus principais clientes já tivesse encontrado um fornecedor alternativo. Ainda mais se esse parceiro for uma empresa com a qual a Samsung não tem uma relação tão confortável quanto com Micron ou SK Hynix, concorrentes com as quais, ao que tudo indica, também mantém determinados acordos de cooperação.

Além de tentar conquistar um cliente do porte da Apple, a reestruturação da fábrica da Samsung atende a uma necessidade prática. A empresa possui vários complexos industriais, mas, para fabricar essa DRAM convencional, algumas etapas do processo estavam distribuídas entre diferentes fábricas, o que tornava a produção mais demorada do que o necessário. Com a reorganização, além de ampliar a capacidade de produção, a companhia concentrará os sistemas produtivos em um único local para aumentar a eficiência.

Ou seja, não se trata simplesmente de fabricar mais, mas de fabricar de forma mais inteligente. Resta saber se esse aumento de 15% será suficiente para aliviar a pressão sobre um mercado que continua saturado e, principalmente, se essa decisão chegará a tempo.

Imagem: Apple

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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