A academia dos Flintstones existe e nós a testamos: seus aparelhos são feitos com madeira, pedras e sucata

Um professor aposentado construiu uma academia inteira com sucata e pedras

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Bárbara Castro

Redatora

Quando pensamos em nos exercitar, a primeira ideia que costuma vir à cabeça é nos matricularmos em uma academia. Pagar a mensalidade, ir nos primeiros dias, inventar desculpas para faltar e, no fim das contas, acabar pagando sem colocar os pés lá. Quem nunca passou por isso depois das férias? Mas o Xataka Espanha encontrou uma alternativa gratuita e ao ar livre: uma academia onde todas as máquinas foram feitas com sucata, pedaços de madeira e pedras.

As estruturas têm esqueleto de madeira, bancos feitos de sucata, peças móveis articulando esses materiais e cargas ajustáveis controladas pela quantidade de pedras acumuladas dentro de baldes. Parece improvisação absurda, mas é uma verdadeira obra de engenharia prática.

O espaço ecológico se chama Lumen e fica em meio à natureza, nos arredores de Valdespino de Somoza. O criador foi Manuel de Arriba Ares, morador local que concluiu a montagem em 2005. Como professor aposentado de educação física, ele uniu sua paixão pelo esporte ao desejo de dar uma utilidade nobre a materiais descartados. O resultado é um conjunto com dezenas de aparelhos de musculação 100% manuais, que funcionam sem gastar um único watt de eletricidade.

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Todos os equipamentos foram projetados com precisão para exercitar grupos musculares específicos com eficácia e segurança. Dá a impressão de que tudo vai quebrar ao levantar peso, mas é pura ilusão: as máquinas são muito firmes, mesmo que o tempo tenha deixado suas marcas.

Logo na entrada, a carcaça de uma bicicleta ergométrica presa a uma armação de madeira — com a roda acionando um rolo caseiro — dá as boas-vindas ao visitante. Pelo gramado, espalham-se engenhocas feitas de troncos combinados com peças de máquinas de lavar, pneus de carro e de trator, roldanas e todo tipo de sucata que estaria abandonada em um ferro-velho se não estivesse ali. No começo rola um receio, claro. Pelo menos até você testar o primeiro aparelho.

As estruturas são muito mais resistentes do que aparentam e têm precisão cirúrgica: cada aparelho vem com uma pequena placa escrita à mão explicando quais músculos são trabalhados e qual é o movimento correto.

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O princípio é exatamente o mesmo das academias convencionais, desde puxar o cabo no aparelho de remada (o banco com rodinhas é uma atração à parte) até erguer pesos moldados em blocos de concreto. Deu para notar que o professor sabia muito bem o que estava fazendo, porque as dores musculares no dia seguinte foram para valer.

O aparelho de remo é especialmente curioso, uma espécie de prancha sobre rodas. Ela deslizava sobre um trilho de metal reaproveitado de carcaças de eletrodomésticos. Puxando com os braços e empurrando com as pernas para completar o movimento de remada, a ponta do sistema tem baldes cheios de pedras que subiam, funcionando perfeitamente como contrapeso.

Guardadas as devidas distâncias pelo acabamento artesanal, a execução do movimento é muito parecida com a de uma máquina de remo tradicional. O esforço exigido também.

Cada aparelho permite isolar grupos musculares específicos com bastante segurança, ainda que os anos ao ar livre cobrem seu preço: certas partes metálicas estão enferrujadas e exigem cuidado.

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A academia Lumen é fascinante pela criatividade e pelo reaproveitamento radical de materiais, mas não para por aí: ela prova que é totalmente viável treinar bem sem pagar uma mensalidade pesada. Estamos acostumados a aparelhos complexos, repletos de tecnologia e telas conectadas ao celular... e aí vem Manuel e monta uma academia completa usando madeira, pedras e sucata no meio de um pasto.

O visual pode até lembrar os Flintstones, mas o espaço cumpre 100% do que promete: exercitar os músculos do corpo todo e ainda dá um destino nobre a materiais que acabariam apodrecendo no lixo.

Matéria traduzida e adaptada de Xataka*

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