Samsung estreia Micro RGB no Brasil e quer levar Mini LED às TVs de entrada

Em entrevista ao Techmind, gerente da Samsung explica como escolher entre Micro RGB, OLED e Mini LED

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Vinicius Braga

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Vinicius Braga trabalha há mais de 20 anos com conteúdo digital. Sempre foi um entusiasta da tecnologia e sempre acreditou que inovação não é só sobre máquinas ou códigos, mas sobre pessoas. No Xataka Brasil, usa suas experiências com mídia digital, dados e inteligência artificial para aproximar o público das grandes transformações do mundo tech e mostrar como o futuro já está acontecendo e pode ser acessado por todos.

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A Samsung anunciou nesta segunda-feira (14) a chegada ao Brasil de sua nova linha premium de TVs. São sete modelos entre 48 e 85 polegadas, com preços que vão de R$ 4.749 a R$ 42.499. A principal novidade é a estreia da Micro RGB por aqui, tecnologia de tela que a marca coloca no topo do seu catálogo.

"É a TV mais premium para quem quer o máximo de qualidade", resume Marina Correia, gerente de produtos de TV da Samsung Brasil, em entrevista ao Techmind, podcast da Xataka Brasil.

Além das Micro RGB, o lançamento inclui três TVs OLED, uma Neo QLED e a nova The Frame Pro. Os aparelhos já estão à venda na loja online da Samsung e em varejistas parceiros.

O que é a Micro RGB, na prática

Numa TV LED comum, existe uma iluminação atrás da tela que acende o painel, e as cores são formadas depois, como uma lanterna brilhando através de papel celofane colorido.

Na Micro RGB, a Samsung troca essa luz de fundo por milhares de LEDs minúsculos, cada um já emitindo vermelho, verde ou azul. Em vez de filtrar a luz para chegar à cor, a TV acende a cor diretamente. Segundo a fabricante, isso dá mais controle sobre cada ponto da imagem e resulta em cores mais precisas, com brilho e contraste superiores aos de suas outras tecnologias.

A empresa afirma que os modelos cobrem 100% do padrão de cores BT.2020, uma paleta mais ampla do que a usada como referência no cinema digital. A linha chega com a R95H, de 85 polegadas, por a partir de R$ 42.499, e a R85H, em 55, 65 e 75 polegadas, por a partir de R$ 6.849.

Do dedão ao grão de areia

Um degrau abaixo da Micro RGB está o Mini LED, e é aí que a Samsung quer ganhar volume. A tecnologia já equipa a Neo QLED QN70H, que combina Mini LED com pontos quânticos (uma camada que deixa as cores mais intensas) e sai a partir de R$ 4.749, em tamanhos de 55 a 85 polegadas.

Para explicar a diferença para uma TV LED comum, Marina usa uma imagem simples. Nas TVs convencionais, os LEDs que iluminam a tela por trás "têm o tamanho de um dedão". No Mini LED, cada um tem o tamanho de "um grão de areia", cerca de 40 vezes menor.

Ela compara o LED grande ao farol de um carro numa estrada à noite: ilumina o que está à frente, mas também o que está dos lados. Na TV, isso faz a luz invadir áreas que deveriam estar escuras, criando aquele cinza e os vazamentos de luz em cenas noturnas. Com LEDs menores, a TV consegue apontar a luz só para onde ela precisa estar, e o contraste melhora.

Na entrevista, Marina também citou a M75H, linha Mini LED mais acessível que vai de 50 a 100 polegadas, e que não aparece no material oficial do lançamento. "O que antes, em 2021, você precisaria comprar uma tela super premium para ter, hoje numa tela de entrada você consegue ter", afirma. A Samsung não divulgou preços da linha.

Três OLED, com foco em quem joga

Na OLED, cada pixel acende e apaga sozinho, o que garante pretos mais profundos. Para Marina, é "o sonho de todo gamer", principalmente para quem joga ou assiste a filmes em ambientes mais escuros.

A S85H, em 48, 55 e 65 polegadas e a partir de R$ 5.249, é a porta de entrada. Ela roda games em 4K a até 120 Hz, com suporte a NVIDIA G-Sync e AMD FreeSync Premium, tecnologias que sincronizam a TV com o console ou o PC e evitam aquele efeito de imagem "rasgada" em movimentos rápidos.

A S90H, de 77 polegadas, e a S95H, de 65 polegadas, sobem a taxa para até 165 Hz, número raro em televisores e mais comum em monitores gamer, área em que Marina trabalhou antes de assumir as TVs. As duas trazem uma tela que, segundo a Samsung, praticamente elimina reflexos, útil em salas com janela ou luz acesa.

Como escolher, segundo a Samsung

Se dinheiro não fosse problema, Marina diz que a escolha dependeria mais do uso do que da tecnologia. Quem joga e prefere o ambiente escuro deveria ir de OLED. Quem tem uma sala muito iluminada e quer brilho e cores realistas se daria melhor com uma Neo QLED.

Ela também relativiza a corrida por polegadas. Entre uma Mini LED de 100 polegadas e uma Neo QLED de 75, por exemplo, a decisão depende do que a pessoa mais valoriza. "A pessoa tem que pesar qual é o hábito de consumo dela", diz. Por outro lado, ela lembra que a resolução 4K permite hoje colocar uma TV de 65 polegadas num apartamento médio sem que a imagem fique ruim, algo que antes não fazia sentido.

A TV que quer ser quadro

A The Frame Pro, de 75 polegadas e a partir de R$ 14.999, é pensada para quem se incomoda com um retângulo preto no meio da sala. Quando desligada, ela exibe obras de arte, e a moldura pode ser escolhida pelo dono. "Eu brinco: não é uma TV que parece um quadro, é um quadro", diz Marina.

Segundo ela, a galeria reúne mais de 3.000 obras, mas o acesso ao acervo completo exige assinatura. Um detalhe prático: os cabos HDMI vão para uma central separada, que pode ficar a até 10 metros da tela, o que ajuda a esconder os fios.

IA em toda a linha, com letras miúdas

A Samsung aposta na inteligência artificial em todo o portfólio. Perguntada no Techmind se isso é mais marketing do que utilidade, Marina defende que o recurso "veio para melhorar".

O principal exemplo é o Vision AI Companion, que responde por voz a perguntas sobre o que está na tela. Marina cita uma situação comum: ver um prato num programa de culinária e perguntar à TV qual é a receita, ou descobrir em que outro filme um ator trabalhou, sem pausar o conteúdo nem pegar o celular. Segundo a Samsung, o sistema usa Bixby e Gemini.

As notas do próprio release trazem ressalvas: as respostas não têm garantia de precisão, o recurso exige conta Samsung e internet e depende de um controle remoto Bluetooth específico. Em modelos cujo controle não reconhece voz, será preciso usar o aplicativo SmartThings no celular.

Outro recurso pensado para o futebol é o Áudio em Camadas com AI, que separa voz e efeitos sonoros. Dá para silenciar a torcida e ouvir só o narrador, ou o contrário. Só funciona pelos alto-falantes da TV, não com soundbar. A linha também tem um sistema que melhora conteúdos de resolução menor, como streaming em Full HD, para deixá-los mais próximos do 4K.

Copa ajudou a vender TV

O lançamento chega no começo do período mais forte para o setor. Segundo Marina, num ano normal cerca de 45% das vendas de TVs acontecem no primeiro semestre e 55% no segundo, puxadas por Black Friday e Natal. Em 2026, com a Copa do Mundo masculina, a divisão ficou em torno de 50% para cada lado.

A próxima aposta é a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil. Para a executiva, jogos no fuso local tendem a repetir o movimento de famílias trocando de TV para acompanhar a seleção.

Na prática, a nova linha da Samsung deixa mais claro o que cada tecnologia entrega, mas não torna a escolha automática. A Micro RGB estreia como vitrine, a OLED segue como a opção de quem joga, e o Mini LED começa a descer para faixas de preço mais acessíveis, o que pode ser a mudança mais relevante para quem vai trocar de TV nos próximos meses. Como a própria Marina reforça na entrevista, a melhor tela não é necessariamente a maior nem a mais cara, e sim a que combina com a luz da sala, com o que se assiste e com quanto se pode gastar. Com Black Friday, Natal e uma Copa do Mundo em casa no horizonte, vale olhar além das polegadas antes de fechar a compra.

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