Os Apeninos, cadeia de montanhas que atravessa a Itália por cerca de 1.200 quilômetros, estão passando por um processo geológico que ajuda a explicar alguns dos movimentos incomuns registrados na região. Enquanto parte da crosta se estende e sobe, outra parte se comprime e afunda.
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Florença sugere que esse comportamento está relacionado a um fenômeno chamado delaminação. O processo acontece quando uma camada mais pesada da parte inferior da crosta se separa das camadas acima e afunda em direção ao manto terrestre. A separação avança gradualmente, em um movimento comparado pelos cientistas à abertura de um zíper.
Uma parte da crosta está se separando e afundando
A crosta terrestre não é uma camada completamente uniforme. Nas profundezas dos Apeninos, os pesquisadores identificaram sinais de que a parte inferior da estrutura está se desprendendo e afundando.
Esse processo cria uma espécie de frente de separação que avança pela região. Enquanto uma área já passou pela delaminação, outra ainda permanece ligada à camada que está afundando.
Os Apeninos estão se esticando e se comprimindo
Medições feitas por GPS mostram que a região central dos Apeninos está se alongando cerca de 4 milímetros por ano. Ao mesmo tempo, a parte mais externa da cadeia montanhosa está se encurtando aproximadamente 2 milímetros por ano.
Na prática, isso significa que uma área da cordilheira está se afastando, enquanto outra é comprimida.
O mesmo processo pode fazer o solo subir e afundar
A delaminação também ajuda a explicar as diferenças de altitude observadas na região.
Quando a camada mais pesada da crosta inferior se separa e afunda, ela deixa de exercer o mesmo peso sobre a parte que permanece acima. Material mais leve do manto ocupa o espaço deixado pela camada que afundou, o que pode favorecer a elevação da crosta.
Na região que ainda está à frente dessa separação, porém, a crosta continua ligada ao material que afunda. Por isso, pode ser puxada para baixo e sofrer compressão.
Dados de GPS e terremotos ajudaram na descoberta
Para investigar o que acontece abaixo dos Apeninos, os pesquisadores analisaram diferentes tipos de dados, incluindo medições de GPS, imagens de satélite e registros de terremotos.
Eles também estudaram a Descontinuidade de Mohorovičić, conhecida como Moho, que marca o limite entre a crosta terrestre e o manto.
A análise revelou uma estrutura que se estende por mais de 500 quilômetros sob os Apeninos. Para os pesquisadores, a forma dessa estrutura é compatível com a existência de uma área onde a parte inferior da crosta está se separando e afundando.
Processo avança em direção ao Mar Adriático
A hipótese apresentada no estudo é que a frente de delaminação não permanece parada. Ela avança gradualmente pela região dos Apeninos, em direção ao lado do Mar Adriático.
Esse movimento levou os pesquisadores a comparar o fenômeno à abertura de um zíper: a crosta não se separa inteira de uma vez: a ruptura avança progressivamente, criando diferentes condições em cada lado da frente.
As medições atuais indicam que a cordilheira continua se deformando cerca de 2 milhões de anos depois do fim da principal fase de extensão que ocorreu na região.
Fenômeno está ligado à história geológica da Itália
Os Apeninos foram formados por processos relacionados ao movimento das placas tectônicas. Durante milhões de anos, a região passou por mudanças causadas pela colisão de placas e pelo deslocamento de uma placa que afundava sob outra.
Esses movimentos contribuíram para o alongamento da crosta no lado oeste da cordilheira e para a formação da bacia do Mar Tirreno.
A principal fase desse processo terminou há cerca de 2 milhões de anos, mas os Apeninos continuaram apresentando movimentos que não eram totalmente explicados pelos modelos anteriores.
A equipe de Stefano Tavani propõe que a delaminação seja uma das peças que faltavam para explicar essa deformação atual.
Imagem de capa: Reprodução/Internet
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