Porsche vende participação na Bugatti por R$ 6,1 bilhões

Queda nas vendas de carros elétricos dificultaram a situação da fabricante alemã

Porsche
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

2386 publicaciones de Victor Bianchin

A Porsche acaba de transformar um de seus investimentos mais exclusivos em dinheiro. A fabricante alemã recebeu cerca de 1 bilhão de euros para sair da Bugatti Rimac e do Rimac Group, justamente quando suas próprias contas enfrentam o impacto de uma menor demanda por carros elétricos e de uma queda nas vendas na China.

A operação foi concluída na última quarta-feira (9/9), depois que as autoridades regulatórias aprovaram a transação. Com ela, a Porsche encerrou sua saída da fabricante croata de hipercarros elétricos e dos negócios relacionados à Rimac. O valor equivale a cerca de 1,2 bilhão de dólares (R$ 6,1 bilhões), uma quantia que agora terá um uso muito mais prático nas finanças da empresa.

A Porsche tinha 45% da Bugatti Rimac e 20,6% do Rimac Group. Ambas as participações surgiram da criação da joint venture em 2021, quando a empresa alemã apostou em uma companhia que reunia a Bugatti com a tecnologia elétrica desenvolvida pela Rimac. Quatro anos depois, a Porsche decidiu que esse vínculo já não se encaixa nas prioridades atuais de seus negócios.

O dinheiro chega em um momento delicado para a Porsche. A empresa enfrenta uma menor demanda na China e uma transição para os veículos elétricos mais lenta do que esperava. O problema não é exclusivo da marca, mas afeta diretamente uma fabricante de carros de luxo que precisa manter margens altas enquanto adapta sua linha a uma tecnologia que ainda não gera a demanda prevista.

A venda também modificou a previsão financeira da Porsche para 2026. A empresa elevou sua estimativa de margem de fluxo de caixa líquido do negócio automotivo para entre 5,5% e 7,5%, ante a faixa anterior de 3% a 5%. Parte da receita terá um destino muito específico: 250 milhões de euros serão usados para financiar obrigações adicionais de pensão. O restante fará parte de um esforço mais amplo para concentrar recursos no negócio principal da Porsche. 

A saída também muda o controle da Bugatti Rimac

A decisão chama a atenção pelo ativo do qual a empresa está se desfazendo. A Bugatti representa um dos nomes mais exclusivos da indústria, enquanto a Rimac se tornou uma das referências em tecnologia elétrica aplicada a veículos de altíssimo desempenho. Ainda assim, a Porsche considera mais conveniente transformar essas participações em liquidez.

A saída também muda o controle da Bugatti Rimac. Após a conclusão da operação, o Rimac Group assumirá o controle total da empresa junto com seus novos investidores. Mate Rimac, fundador da Rimac, ocupará a presidência da Bugatti Automobiles como parte da reorganização. Marko Brkljačić, ex-executivo da Rimac Technology, assumirá como diretor de operações.

Há uma leitura especialmente interessante na decisão da Porsche. Há apenas alguns anos, a combinação de uma marca histórica como a Bugatti com a tecnologia elétrica da Rimac parecia uma forma de preparar o futuro dos hipercarros. Agora, a Porsche prefere recuperar capital e reduzir sua exposição a negócios que não fazem parte de seu núcleo. A venda não significa que os carros elétricos tenham deixado de ser importantes, mas mostra o quanto mudou o cálculo financeiro em torno deles.

O movimento deixa a Porsche com 1 bilhão de euros adicionais e a Rimac com o controle completo da Bugatti Rimac. Também revela uma realidade menos espetacular do que qualquer número de potência de um hipercarro: neste momento em que a China perde força e a adoção do carro elétrico não avança no ritmo previsto, até mesmo as maiores marcas do planeta precisam ajustar seus investimentos.

Imagem | Bugatti

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka México.


Inicio