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Nasceu o "claudês", um dialeto compreendido apenas por aqueles que passam os dias conversando com seus agentes de IA

"Você tem razão em se opor a isso; meu erro não foi periférico; foi fundamental"

Nasceu o "Claudés", um dialeto compreendido apenas por aqueles que passam os dias conversando com seus agentes de IA.
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Fabrício Mainenti

Redator

Um novo dialeto está circulando na indústria de tecnologia, compreendido apenas por aqueles que trabalham constantemente com agentes de IA. "Você tem razão em objetar. Meu erro não foi periférico; foi fundamental" é o tipo de frase rebuscada e grandiosa, repleta de vocabulário técnico, que Claude Code costuma usar. Aqueles que trabalham diariamente com essa ferramenta não só aprenderam a entendê-la, como também estão se acostumando.

Uma nova linguagem

A UserMag relata o assunto. Na indústria, esse novo dialeto é chamado de "claudês". É o tipo de inglês que Claude Code usa em suas respostas quando alguém está fazendo "vibe coding"

Não se trata apenas de usar um vocabulário mais incomum; a estrutura das frases e a maneira como ele as formula são completamente alteradas, a ponto de que saber inglês não garantir que você entenderá o que ele está dizendo.

Ethan Mollick, autor da newsletter de IA One Useful Thing, comparou a leitura a um inglês shakespeariano.

Como assim?

Embora Claude já tivesse um jeito peculiar de falar, esse fenômeno explodiu com a chegada de Fable 5. Por exemplo, em vez de simplesmente dizer "os dados estão corretos, mas a formatação é difícil de ler", Fable frequentemente usa frases como:

"O jeito honesto é assimétrico: os dados estão corretos, mas a formatação é difícil de ler. Correção alcançada; legibilidade não".

O X foi inundado com posts e memes sobre o "claudês", a ponto de já terem criado um dicionário e tradutor de inglês-Claudeês. Sério.

Por que isso é importante?

A IA vem influenciando a linguagem há algum tempo. Existem palavras como "delve" (investigar) ou "showcase" (exibir) cujo uso disparou com o surgimento dos modelos de linguagem. Há também certos padrões e frases que soam muito artificiais para nós, como a clássica antítese "não é X, é Y".

Mas o "claudês" vai além: não se trata de uma palavra ou frase específica, mas sim de uma nova forma de usar a linguagem, novas estruturas otimizadas para que agentes as entendam, não humanos.

Requisito: fluência em "claudês"

Além do meme, "claudês" pode ser uma forma de medir o quanto alguém conhece o Claude Code. A autora da UserMag relata que o fundador de uma startup lhe disse que estava considerando incluir um novo teste nos processos de recrutamento: dar aos candidatos um parágrafo em "claudês" e pedir que o traduzam. Se não o entenderem, isso mostrará que a pessoa não tem experiência suficiente com a linguagem.

Os Tokens

É possível pedir ao Claude Code que explique suas respostas em uma linguagem mais compreensível, mas ter que pedir que ele traduza cada mensagem tem um custo, já que consome tokens. Para programadores, é mais vantajoso aprender a entender a máquina do que fazer a máquina entendê-los. No fim das contas, se você passar tempo suficiente conversando com agentes, acabará aprendendo a linguagem deles.

Codex é mais direto

Por enquanto, o Codex, ferramenta de agentes da OpenAI, não usa uma linguagem tão peculiar e tende a ser muito mais claro e direto em suas respostas. No entanto, Yuntian Deng, professor associado de Harvard, disse à UserMag que percebeu que sua linguagem está gradualmente começando a se assemelhar à usada por Claude Code, e que podemos estar testemunhando o surgimento de um novo inglês otimizado para agentes.

Imagem de capa | Xataka com Magnific

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