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Escala 6x1: trabalhar 5 dias em vez de 6 resolve? Cientistas dizem que há outro fator mais importante

Horas trabalhadas podem influenciar mais a saúde do que dias de trabalho | Imagem: Ketut Subiyanto (Pexels)
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Igor Gomes

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Igor Gomes

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Subeditor do Xataka Brasil. Jornalista há 15 anos, já trabalhou em jornais diários, revistas semanais e podcasts. Quando criança, desmontava os brinquedos para tentar entender como eles funcionavam e nunca conseguia montar de volta.

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A campanha pelo fim da escala de trabalho 6x1 avançou mais uma etapa no Congresso. Em 2 de setembro de 2026, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a PEC 221/2019, que propõe acabar com o modelo em que o trabalhador tem seis dias de trabalho para apenas um de descanso. Agora, a proposta segue para análise e votação no Plenário do Senado.

O texto aprovado prevê a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução de salário. Um dos dias de folga deverá ser preferencialmente aos domingos. As mudanças seriam implementadas de forma progressiva.

Apesar de a aprovação da PEC na CCJ representar um avanço importante, a mudança ainda não está valendo para os trabalhadores brasileiros. Antes de entrar em vigor, a proposta precisa ser aprovada pelo Plenário do Senado em dois turnos e, como se trata de uma PEC, também precisa seguir todas as etapas previstas no processo legislativo.

A discussão envolve não apenas a quantidade de dias de descanso, mas também possíveis efeitos sobre a saúde, a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores. Ao mesmo tempo, representantes de empresas e setores que funcionam todos os dias da semana alertam para possíveis impactos sobre custos, contratação e organização das jornadas.

Por isso, embora mais um dia de folga possa representar uma mudança importante na rotina de milhões de pessoas, o fim da escala 6x1 ainda depende das próximas etapas de votação no Congresso.

Trabalhar menos horas é melhor para a saúde

Um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que os números de horas trabalhadas consecutivamente são fatores importantes para a saúde dos trabalhadores. De acordo com a OMS, 398 mil pessoas morreram de AVC e 347 mil de doenças do coração, em 2016, em decorrência de trabalharem pelo menos 55 horas por semana. O maior número de mortes ocorreu entre homens que trabalharam mais de 8 horas por dia dos 45 aos 74 anos. Esse ritmo de trabalho é mais associado com problemas de saúde do que expedientes de 35 a 40 horas por semana. 

Os expedientes exaustivos também estão ligados com problemas de saúde mental. Uma revisão sistemática de artigos sobre o assunto feito na China apontou que trabalhadores entre 16 e 60 anos tiveram o estado mental deteriorado ao serem obrigados a trabalhar por tanto tempo diariamente. Mulheres foram mais afetadas do que os homens pelo excesso de trabalho. Os autores do estudo apontam que isso se deve pelo acúmulo de trabalho doméstico com as longas jornadas. Além disso, trabalhadores de escritórios são mais propensos a desenvolver problemas de saúde mental do que aqueles com trabalhos mais físicos. 

Como diminuir os problemas de saúde

Entre as sugestões dadas pelos especialistas está a fiscalização para assegurar que a legislação é cumprida. A legislação Chinesa também define a jornada de trabalho como apenas 40 horas semanais, porém mais de 50% dos chineses têm expedientes maiores do que o estipulado por lei. No Brasil, a última Relação Anual de Informação Social (RAIS), divulgada pelo Ministério do Trabalho em 2023, não consegue apontar quantos brasileiros trabalham na escala 6x1, mas aponta que 820.827 pessoas trabalham mais de 48 semanais. Essa carga horária é maior que a definida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) brasileira de 40 horas semanais. 

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