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A Coreia do Sul, quinta potência militar do mundo, está vendendo tanques para um dos principais alvos da Rússia

Compra motivada pela urgência europeia pode acabar transformando o tanque sul-coreano em uma plataforma global

K2 Black Panther
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A Coreia do Sul se tornou uma das grandes beneficiadas pelo rearmamento internacional provocado pela guerra na Ucrânia. O país, atualmente na quinta posição do ranking militar da Global Firepower, acaba de iniciar uma nova fase de entregas de seus K2 Black Panther.

O primeiro país a recebê-los é a Polônia, um dos membros da OTAN mais expostos à ameaça russa. Enquanto Varsóvia projeta uma gigantesca frota de até 1.000 unidades, o sucesso internacional do veículo de combate sul-coreano começa a chamar a atenção muito além da Europa: o Marrocos agora estuda uma possível aquisição de até 400 unidades do K2.

Da Coreia para a Polônia, de lá para a Ucrânia

A Coreia do Sul começou as entregas referentes ao segundo grande contrato de K2 Black Panther firmado entre a Polônia e a Hyundai Rotem, avaliado em cerca de 6,5 bilhões de dólares e composto por outros 180 carros de combate.

Os primeiros 28 veículos desse novo lote já chegaram ao país e estão destinados a reforçar a 16ª Divisão Mecanizada, posicionada no nordeste polonês. Não é uma localização qualquer: a Polônia faz fronteira com Belarus e com o enclave russo de Kaliningrado, tornando essa região uma das áreas estrategicamente mais sensíveis do flanco oriental da OTAN.

Tanque1 Tanque K2 com snorkel

A aposta polonesa no K2 está diretamente relacionada à transformação pela qual seu Exército passou após a invasão russa da Ucrânia. Varsóvia se tornou um dos principais fornecedores europeus de equipamento pesado para Kiev e transferiu centenas de veículos de combate de origem soviética, incluindo numerosos T-72, reduzindo consideravelmente suas próprias reservas.

Isso criou uma necessidade extraordinariamente urgente: não bastava comprar um tanque moderno: a Polônia precisava de um fabricante capaz de produzi-lo e entregá-lo rapidamente. A enorme capacidade industrial sul-coreana oferecia justamente essa combinação.

De uma compra urgente a uma frota de até 1.000 unidades

Os primeiros acordos com Seul foram pensados para reconstruir rapidamente as unidades blindadas polonesas, mas o projeto acabou se tornando algo muito mais ambicioso. Varsóvia considera chegar a ter até 1.000 K2, uma cifra que transformaria o carro de combate sul-coreano em uma das espinhas dorsais de suas forças terrestres nas próximas décadas.

O segundo contrato, de 180 unidades, confirma essa transição: o Black Panther já não funciona simplesmente como substituto provisório do material enviado à Ucrânia, mas como uma plataforma em torno da qual a Polônia pretende reorganizar uma parte considerável de sua capacidade blindada.

Tanque2 Exercícios com o K2

A velocidade do programa é melhor compreendida quando observamos o que acontece ao redor das fronteiras polonesas. A Polônia tem denunciado diferentes violações de seu espaço aéreo relacionadas a ataques russos contra a Ucrânia e chegou a convocar o embaixador russo depois que um míssil de cruzeiro Kh-101 penetrou em território polonês e acabou caindo no leste do país.

A agência Reuters conta que as autoridades polonesas consideram esses episódios uma demonstração de que a guerra pode gerar incidentes diretamente sobre o território da OTAN e transformaram o fortalecimento das defesas orientais em uma prioridade estratégica de longo prazo.

Coreia toma o espaço deixado pela Europa

O sucesso do K2 revela também uma mudança importante no mercado internacional de armamentos. A Coreia do Sul combina uma indústria militar avançada com enormes capacidades produtivas, preços competitivos e, especialmente, prazos de entrega difíceis de igualar pelos fabricantes ocidentais, submetidos a décadas de redução de pedidos e de linhas de produção.

Tanque3

A Polônia acompanhou os K2 com outras grandes aquisições sul-coreanas, transformando Seul em um parceiro fundamental de sua modernização militar e demonstrando que um país situado a milhares de quilômetros pode ocupar rapidamente o espaço aberto pelas necessidades urgentes dos Exércitos europeus.

Esse sucesso internacional começa a despertar interesse no norte da África. O Marrocos estaria avaliando, técnica e estrategicamente, a incorporação de até 400 K2 Black Panther para modernizar suas forças blindadas, atraído, entre outras características, por sua elevada mobilidade, automação e tripulação de três pessoas.

O movimento permitiria ainda ao país diversificar uma frota historicamente apoiada em material estadunidense e diferentes plataformas de outras origens, embora exista uma diferença fundamental em relação ao caso polonês: por enquanto, trata-se de uma avaliação de viabilidade e não há nenhum contrato assinado para adquirir esses 400 carros.

O K2 resume uma transformação que vai muito além de um único modelo de tanque. A Coreia do Sul está usando sua extraordinária capacidade industrial para ganhar espaço em um mercado alterado pela guerra na Ucrânia e pelo aumento mundial dos gastos em defesa.

A Polônia representa sua vitrine mais espetacular, com a perspectiva de operar até mil Black Panther; o fato de Marrocos estar agora estudando centenas deles mostra até que ponto uma compra motivada pela urgência europeia pode acabar transformando o tanque sul-coreano em uma plataforma global.

Imagem | US Force, Republic of Korea Armed Forces (Flickr)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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