Houve um tempo em que a filosofia do WhatsApp cabia em um post-it colado na mesa de seu cofundador Jan Koum. O “No Ads! No Games! No Gimmicks!” (sem anúncios, sem jogos, sem pegadinhas) acabou há muito tempo e, agora, estamos prestes a fechar o círculo.
Já se sabe há algum tempo que a Meta está planejando inserir publicidade no app de mensagens. Agora, foi noticiado que a empresa planeja também lançar um plano de assinatura do WhatsApp que permitirá eliminar a publicidade nas seções de Status e Canais. Os chats devem continuar sem anúncios por enquanto.
Para os mais veteranos do app, isso desperta uma lembrança de mais de uma década atrás. Em 2013, o WhatsApp cobrava uma assinatura anual de 89 centavos no Android e chegou até a tentar implementá-la no iOS. Aquilo trouxe uma implementação caótica que terminou quando o Facebook comprou o app e o tornou totalmente gratuito em 2016. A diferença é que, naquela época, pagava-se por funcionalidade; agora, pagaremos por privacidade.
O Facebook pagou cerca de 1 bilhão de dólares pelo WhatsApp em 2014. Oito anos depois, análises sugeriam que a companhia mal havia recuperado 10% desse investimento. Embora o WhatsApp Business gere receitas, manter a infraestrutura do serviço de mensagens mais difundido do mundo é caríssimo. A publicidade era o passo inevitável que seus executivos já haviam confirmado em 2018, provocando a saída dos fundadores originais.
Esse movimento alinha o WhatsApp à estratégia global das redes sociais: o usuário gratuito vê anúncios, o usuário pagante mantém o app limpo. Embora os fundadores originais rejeitem a publicidade, o WhatsApp de hoje parece ter aceitado que, para ser sustentável, precisa se tornar um suporte publicitário ou então um serviço premium.
Imagem | Composição com imagens de Xataka
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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