Existe uma ansiedade moderna que todo usuário de smartphone conhece bem: sair de casa com 100% de carga e voltar já pensando onde está o carregador. O realme P4 Power 5G nasce justamente para atacar esse problema de frente — e faz isso de forma quase provocativa. Com uma bateria de 10.001 mAh, o aparelho entrega uma autonomia fora da curva, criando uma experiência que muda o jeito de usar o celular no dia a dia.
Antes de qualquer coisa, é preciso alinhar expectativas: este não é um smartphone que tenta ser o melhor em tudo. Ele escolhe um foco muito claro — energia — e constrói o resto do pacote ao redor disso. E, surpreendentemente, funciona.
Uma bateria simplesmente absurda
Não tem como começar por outro lugar. A bateria do realme P4 Power 5G é, sem exagero, o grande diferencial do aparelho. São 10.001 mAh, mais do que o dobro de muitos tops de linha atuais, e isso se traduz em algo raro no mundo mobile: tranquilidade.
Em uso normal, dá para passar mais de um dia inteiro sem sequer pensar em recarregar. Em cenários moderados, dois dias não são nenhum desafio. E se você for do tipo que usa o celular principalmente para mensagens, redes sociais e vídeos, o carregador praticamente vira um acessório decorativo.
O pacote fica ainda mais interessante com o carregamento rápido de 80W, que reduz bastante o impacto de uma bateria tão grande, e com o carregamento reverso de 27W. Na prática, o P4 Power 5G vira um powerbank improvisado, capaz de salvar fones, outros celulares e até gadgets maiores em situações de aperto. Um recurso que parece supérfluo… até o dia em que você precisa.
Design honesto, peso inevitável
Uma bateria desse tamanho cobra seu preço físico. Com cerca de 218 gramas, o realme P4 Power 5G é perceptivelmente pesado. Não chega a ser desconfortável, mas você sente que ele está ali. A boa notícia é que a realme trabalhou bem o design para equilibrar isso.
O visual é moderno, com acabamento que chama atenção sem exagerar e opções de cores que fogem do óbvio. Apesar da ficha técnica intimidadora, ele não parece um “tijolo tecnológico”, o que já é uma vitória considerando a proposta.
Ainda assim, se você prioriza aparelhos leves acima de tudo, ele tem uma filosofia completamente diferente do que você precisa.
Tela e desempenho: mais do que o suficiente
A tela AMOLED de 6,78 polegadas, resolução 1.5K e 144 Hz entrega exatamente o que se espera de um bom intermediário premium. Cores vivas, excelente fluidez e brilho alto o suficiente para uso tranquilo ao ar livre. É uma tela que valoriza vídeos, games e navegação cotidiana sem esforço.
Falando nos games, o conjunto com o MediaTek Dimensity 7400 e 12 GB de RAM se sai muito bem. Fortnite e Genshin Impact rodam com boa estabilidade, sem engasgos frustrantes. Não é um desempenho espetacular no nível de flagships caríssimos, mas é mais do que suficiente para quem quer jogar de verdade e, com essa bateria, por muito tempo.
Foto tirada com o P4 Power 5G.
Câmeras competentes, mas sem ambição
O conjunto de câmeras entrega resultados sólidos: sensor principal de 50 MP, ultrawide de 8 MP e câmera frontal de 16 MP. As fotos têm boa definição, cores corretas e desempenho satisfatório em condições de boa luz.
Dito isso, fica claro que a câmera não é o foco do projeto. Em ambientes noturnos ou cenas mais complexas, o processamento mostra suas limitações. Não chega a decepcionar, mas também não empolga. É funcional — e, dentro da proposta do aparelho, faz sentido.
O mesmo vale para os vídeos, que vão até 4K a 30 FPS, ou FHD em 60 FPS.
O zoom completo, de 20x nas fotos, deixa as coisas um pouco borradas, mas funciona
Pequenos tropeços no uso diário
Nem tudo são flores. Um dos incômodos mais claros está no sensor de digitais, posicionado muito próximo à parte inferior da tela. Dependendo do tamanho da mão, é preciso fazer um pequeno malabarismo para desbloquear o aparelho, algo que poderia ser facilmente evitado com um posicionamento melhor, como o GT 8 Pro da própria realme. Além disso, a parte do áudio é um pouco decepcionante, com som mono e um alto falante mediano.
Outro ponto negativo é o já conhecido bloatware presente nos aparelhos da marca. A interface realme UI 7.0 é bem organizada, fluida e visualmente agradável, mas vem acompanhada de uma quantidade desnecessária de aplicativos pré-instalados que ocupam espaço e exigem limpeza manual logo no primeiro uso. Não é um problema novo, mas continua sendo chato.
8.2
Prós
- Bateria praticamente infinita
- Design que se destaca
- Tela de 120Hz
Contras
- Um pouco pesado
- Áudio mono
O realme P4 Power 5G vale a pena?
O realme P4 Power 5G não tenta agradar todo mundo — e isso joga a favor dele. É um smartphone feito para quem valoriza autonomia acima de tudo, sem abrir mão de boa tela, desempenho consistente e recursos modernos como carregamento reverso.
Se você vive longe de tomadas, joga bastante, consome muito conteúdo ou simplesmente cansou de gerenciar bateria como se fosse um recurso escasso, este é um dos celulares mais interessantes da categoria. Ele não é perfeito, mas entrega exatamente o que promete — e, hoje em dia, isso já é um baita diferencial.
Créditos de imagem: realme, Xataka Brasil
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