"Fungo zumbi" descoberto no Brasil coloca país no top 10 descobertas científicas de 2025; ele infecta aranhas vivas, dribla o sistema imunológico e se espalha após a morte

Purpureocillium atlanticum, nova espécie de fungo parasita identificada na Mata Atlântica, infecta aranhas vivas e mostra o quanto a biodiversidade do bioma ainda é desconhecida

Purpureocillium atlanticum, o fungo zumbi. Créditos:IMAMFUNGOS
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Laura Vieira

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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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Todo mundo, ao menos uma vez na vida, já imaginou como seria o fim do mundo se humanos se transformassem em zumbis. Não é à toa que o audiovisual se inspirou nessa ideia para produzir séries como The Walking Dead e filmes como a Guerra Mundial Z. Mas e se essa invasão fosse, na verdade, um fungo zumbi? 

O pesquisador brasileiro e professor da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, João Araújo, descobriu em meio à Mata Atlântica de Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, uma nova espécie de fungo parasita capaz de infectar aranhas ainda vivas, consumir seus tecidos por dentro e, após a morte do hospedeiro, emergir para liberar esporos no ambiente. Batizado de Purpureocillium atlanticum, e apelidado de “fungo zumbi”, o microrganismo foi reconhecido pelo Royal Botanic Gardens Kew, de Londres, como uma das 10 descobertas científicas mais relevantes do ano.


Fungo zumbi: parasita altamente especializado infecta aranhas vivas e possui estratégias naturais de sobrevivência

Aranha de alçapão infectada com o fungo zumbi.  Créditos:IMAMFUNGOS Aranha de alçapão é o hospedeiro do fungo zumbi. Créditos: IMAMFUNGOS

O fungo zumbi pode não ser exatamente o zumbi que imaginamos, mas ele está fora da ficção e é completamente real. O Purpureocillium atlanticum é uma espécie de fungo que pertence à família Ophiocordycipitaceae, conhecida por reunir parasitas extremamente especializados, ou seja, capazes de assumir o controle de outro. A diferença, neste caso, está no hospedeiro: uma aranha de alçapão que vive em tocas subterrâneas na Mata Atlântica.

O ciclo de infecção começa quando o fungo entra em contato com a aranha viva. A partir daí, ele passa a se desenvolver dentro do corpo do animal, espalhando-se rapidamente por órgãos e fluidos internos. Durante esse processo, o microrganismo libera substâncias químicas capazes de neutralizar o sistema imunológico do hospedeiro, garantindo que a infecção avance sem resistência.

Com o tempo, os tecidos da aranha são completamente consumidos. Em um estágio mais avançado, o fungo forma uma estrutura que atravessa a entrada da toca e alcança o ambiente externo. Essa posição estratégica permite que o fungo libere os esporos no solo e no ar e, consequentemente, que o ciclo continue. Apesar do impacto sobre o hospedeiro, os pesquisadores destacam que o fungo é altamente específico e não representa qualquer risco para humanos.

Por que a descoberta de fungo em Nova Friburgo é uma das mais relevantes do mundo?

A descoberta do Purpureocillium atlanticum, descrita formalmente em dezembro de 2025, foi publicada na revista científica IMA Fungus, especializada na biologia de fungos. Um dos diferenciais da pesquisa foi o uso de sequenciamento genético portátil diretamente em campo. Essa tecnologia permitiu analisar o material ainda fresco, aumentando a precisão dos dados e reduzindo o risco de contaminação.

O reconhecimento pelo Jardim Botânico de Londres colocou a descoberta feita na Mata Atlântica brasileira ao lado de achados de diferentes partes do mundo, reforçando a importância científica do bioma e o papel do Brasil na pesquisa sobre biodiversidade ainda desconhecida. Segundo a própria instituição, menos de 10% das espécies de fungos existentes foram descritas até hoje. Isso significa que cada nova identificação ajuda a entender o entendimento dos ecossistemas.

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