Enquanto debatemos de quanta eletricidade a IA precisa, a China já tem um data center que funciona com energia limpa

Ele fica em Zhongwei, na Região Autônoma Hui de Ningxia, e faz parte de um plano muito mais ambicioso 

Energia eólica em data center
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Já está em operação o primeiro data center de inteligência artificial movido a energia eólica da China. Trata-se de uma instalação inovadora na Região Autônoma Hui de Ningxia, no noroeste do país, que conta com um fornecimento de energia renovável que lhe permite operar usando eletricidade 100% limpa. Isso representa um marco para o país asiático e também para a indústria global, considerando o debate em torno do enorme impacto ambiental dessas infraestruturas.

Segundo o jornal South China Morning Post, a usina de energia renovável do data center de IA gera 4,3 bilhões de quilowatts-hora de eletricidade por ano, o que representa uma redução de 3,65 milhões de toneladas nas emissões de carbono para a atmosfera.

Além disso, a instalação alcança um PUE (Power Usage Effectiveness, ou Eficiência no Uso de Energia) de 1,15, indicador que mede a eficiência energética dos centros de dados ao comparar o consumo total da instalação com a energia efetivamente utilizada pelos equipamentos de TI. Para colocar esse dado em perspectiva, o PUE médio da indústria foi de 1,56 nos últimos cinco anos, segundo o Global Data Center Survey 2025, do Uptime Institute. De acordo com a organização, uma pontuação de 1,0 representa um PUE perfeito.

Dados no leste, computação no oeste

A implantação desse data center de IA faz parte de um plano estratégico mais amplo que o país asiático vem colocando em prática para fortalecer a infraestrutura que sustenta o desenvolvimento da inteligência artificial recorrendo a energia renovável.

Batizado em inglês de Eastern Data, Western Computing (EDWC), esse megaprojeto nacional busca transferir o processamento de dados das regiões orientais mais desenvolvidas da China para as regiões rurais do oeste, que oferecem condições ambientais muito mais favoráveis e abundância de fontes de energia renovável. Esse é o caso da Região Autônoma Hui de Ningxia. Dessa forma, o gigante asiático pretende enfrentar o aumento da demanda energética nos próximos anos, que, segundo algumas projeções, poderá dobrar até 2030.

Os data centers de IA, embora sejam muito parecidos com os data centers tradicionais, operam com uma demanda de processamento muito maior, o que os transforma em verdadeiros devoradores de energia. A empresa de consultoria em TI Gartner prevê que o consumo de eletricidade desse tipo de instalação alcance 565 TWh em 2026.

Quanto ao impacto ambiental, um estudo recente realizado pela Allianz revela que as emissões associadas a esse tipo de centro atingiram 286 megatoneladas de dióxido de carbono em 2025 e que sua pegada de carbono foi 57% maior do que a Agência Internacional de Energia (IEA) havia estimado inicialmente. Entre os recursos mais consumidos, o uso de eletricidade lidera, sendo responsável por 76% dessa pegada.

Por isso, o relatório aponta que o avanço rumo a uma IA mais sustentável dependerá, sobretudo, da transformação dos sistemas energéticos que a abastecem e da aposta em fontes renováveis, como a energia eólica, que praticamente não deixa pegada hídrica nem de carbono.

Europa corre atrás

A dianteira "verde" que a China está assumindo desperta enorme interesse no restante do mundo, especialmente na Europa, considerando as metas de descarbonização estabelecidas por Bruxelas. A União Europeia já incluiu esse tipo de data center em algumas de suas regulamentações gerais sobre energia, como a Diretiva de Eficiência Energética (UE) 2023/1791, cujo artigo 12 determina que os centros com potência superior a 500 kW sejam obrigados a divulgar publicamente seu consumo de energia. Outras normas, como o Regulamento Delegado (UE) 2024/1364, buscam unificar um sistema comum de avaliação para as mais de 3 mil instalações desse tipo existentes na União Europeia.

Embora haja quem veja nesse ímpeto regulatório um motivo para que a Europa fique para trás na corrida tecnológica, a verdade é que a eficiência energética dos data centers, especialmente os de IA, pode fazer toda a diferença. É o que defende Hongpeng Lei, chefe da Divisão de Mitigação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), para quem investir em centros mais sustentáveis não é um obstáculo, mas "o caminho para uma infraestrutura digital resiliente e competitiva".

Imagem | Paul Hanaoka (Unsplash)

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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