Cientistas na Universidade de Zhejiang, no leste da China, ativaram recentemente uma conquista monumental da engenharia: a CHIEF1900, uma centrífuga gigantesca capaz de gerar forças 1.900 vezes maiores que a gravidade da Terra. Enterrada a 15 metros de profundidade para isolar vibrações, a máquina agora detém o recorde mundial, superando o antigo líder pertencente ao Exército dos EUA.
O sistema faz parte de um complexo interdisciplinar avaliado em 285 milhões de dólares e tem como objetivo principal atuar como um "compressor de tempo e espaço" para a ciência e a engenharia.
Como funciona a "compressão do tempo"?
As centrífugas de hipergravidade permitem que pesquisadores estudem processos geológicos ou mecânicos que levariam décadas, ou até milênios, para ocorrer no mundo real. Ao aumentar a força gravitacional, o comportamento dos materiais é acelerado de forma proporcional.
Um exemplo prático dessa tecnologia ocorre na engenharia civil: ao girar um modelo de apenas 3 metros de uma barragem a 100g (100 vezes a gravidade terrestre), os cientistas conseguem reproduzir exatamente a mesma tensão e estresse que uma barragem real de 300 metros de altura sofreria.
O CHIEF1900 pode simular como poluentes se espalham pelo solo ao longo de milhares de anos, condensando esse processo em apenas algumas horas de coleta de dados.
Desafios técnicos e aplicações globais
Operar a 1.900 toneladas-g — para efeito de comparação, uma máquina de lavar roupas atinge apenas duas toneladas-g — cria desafios extremos de calor e pressão. Para evitar que a máquina se desintegre ou derreta, os engenheiros chineses desenvolveram um sistema de controle de temperatura baseado em vácuo, combinando fluidos refrigerantes e ventilação especial.
As aplicações da CHIEF1900 são vastas e incluem testar como sistemas biológicos (células e plantas) se comportam em ambientes de gravidade extrema de outros planetas, analisar como as vibrações de trens de alta velocidade interagem com o solo ao longo de anos de uso e estudar a resiliência de materiais sob forças de aceleração violentas.
A instalação está aberta a pesquisadores internacionais, posicionando a China como o novo epicentro global para estudos de física e engenharia de grande escala. A rapidez com que o país saltou de modelos anteriores para o CHIEF1900 demonstra um investimento maciço na fronteira da pesquisa experimental.
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