China desbanca os EUA no ranking dos supercomputadores mais potentes do mundo 

LineShine recupera a coroa que os EUA vinham mantendo desde 2017

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A lista bianual TOP500 com os supercomputadores mais potentes do planeta trouxe uma surpresa marcante em sua edição de junho de 2026. O sistema chinês LineShine, instalado no Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen, estreou diretamente no primeiro lugar. Assim, desbanca o supercomputador estadunidense El Capitan, que vinha dominando o ranking há anos. A China não liderava essa classificação desde 2017, rompendo portanto uma década de hegemonia dos EUA.

Os testes usados para compor essa lista não deixam dúvidas: o LimeShine alcançou 2,198 exaflops de desempenho no benchmark HPL, contra 1,809 exaflops de seu rival estadunidense. A máquina chinesa é, portanto, 20% mais potente que o carro-chefe do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia. Trata-se de um novo marco na supercomputação global.

O desempenho é extraordinário, mas é ainda mais impressionante a forma como esse supercomputador foi construído. A maioria dos supercomputadores modernos depende fortemente de GPUs, chips gráficos especializados da Nvidia ou da AMD, para o processamento massivo de dados. No entanto, o LineShine utiliza CPUs em vez de concentrar tudo em GPUs, algo que diferencia esse supercomputador de seus rivais e torna o feito ainda mais notável.

O pilar fundamental do LineShine é a CPU LX2. Os dados indicam que ela foi projetada pela Huawei e cada uma dessas CPUs conta com dois dies de computação e memória HBM. Cada pastilha tem 152 núcleos ARMv9 com suporte a SVE e SME, o que permite que, mesmo sem GPUs, o sistema processe vetores e matrizes de forma excepcional. No total, o LineShine possui 304 desses processadores, com um total de 13.789.440 núcleos.

Uma das razões que contribuíram para essa decisão de design está na guerra comercial entre os EUA e a China. As tarifas e os vetos à exportação de hardware e software complicaram bastante a situação, sobretudo quando se trata de obter GPUs da Nvidia para processamento de IA. Apesar de tudo isso, a China voltou a demonstrar uma capacidade impressionante de avançar tecnologicamente. Outra curiosidade: o sistema foi construído sem recursos públicos do governo chinês.

Ranking Fonte: TOP500

Os clusters de IA não competem, mas ganhariam

Essa prestigiada lista sempre nos ofereceu uma visão dos sistemas de computação mais potentes do mundo, mas hoje o panorama mudou. Isso acontece porque os clusters de IA criados pelas grandes empresas de tecnologia provavelmente são mais potentes do que qualquer um desses sistemas. Como explica Jimmy Goodrich, da Universidade da Califórnia, “se os hiperescaladores competissem com seus sistemas, ‘o mais rápido’ do mundo nem sequer estaria entre os cinco primeiros”.

Ainda assim, os supercomputadores da lista TOP500 e os clusters de IA que os hiperescaladores constroem para atender à demanda global são muito diferentes. O problema central está na precisão de ponto flutuante. Supercomputadores clássicos como El Capitan são projetados para simulações científicas de alta fidelidade, nas quais o menor erro de arredondamento pode ser fatal. Por isso, operam sob o padrão FP64, com o qual são calculadas dezenas de casas decimais: é um processo lento e energeticamente custoso, mas extraordinariamente preciso.

Em contrapartida, os modelos de IA são muito resistentes ao “ruído” numérico. Eles não precisam de precisão perfeita para reconhecer padrões ou gerar texto. Isso permite que chips de IA utilizem formatos de precisão reduzida, como FP16, FP8 e até FP4. Ao processar números muito menores, multiplicam de forma significativa sua velocidade e eficiência. Assim, quando um cluster de IA alcança dezenas de exaflops, ele o faz arredondando com bastante liberdade. Essas máquinas são excepcionais para tarefas de IA, mas não ameaçam o futuro dos supercomputadores tradicionais.

Se observarmos a lista em detalhe, vemos uma ótima notícia para a supercomputação europeia. O sistema HPC7, criado pela Eni, entrou diretamente na sexta posição da lista, enquanto o Jupiter Booster, da Alemanha, ocupa o quinto lugar. A Europa tem quatro sistemas entre os 10 primeiros da lista TOP500 (dois deles, da Itália) e oito entre os 20 primeiros. 

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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