Em 2017, a Volkswagen considerou vender a Ducati, mas o negócio nunca se concretizou. Oito anos depois, o nome da empresa de Borgo Panigale volta a ser notícia.
O motivo não são os resultados financeiros, mas sim a necessidade do grupo alemão de financiar uma profunda reestruturação que poderá obrigá-lo a desfazer-se de alguns dos seus ativos mais valiosos.
Uma reestruturação histórica coloca a Ducati novamente em destaque
Segundo o Financial Times, consultores financeiros próximos do negócio acreditam que, após a venda bem-sucedida da Everllence (antiga divisão MAN Energy Solutions), novas propostas para alienar algumas das verdadeiras joias do grupo poderão ganhar força. A Ducati está novamente entre elas, uma possibilidade que já havia sido considerada há anos e que agora ressurgiu em meio à reestruturação da Volkswagen.
Esta informação surge poucos dias depois da revelação de que a Volkswagen está a preparar um plano de redução de custos sem precedentes, que afetará dezenas de milhares de postos de trabalho e envolverá uma grande reorganização industrial.
A pressão é imensa. A fabricante alemã precisa continuar investindo bilhões em eletrificação, software e direção autônoma para recuperar a competitividade contra as fabricantes chinesas, especialmente a BYD.
Nesse contexto, e de acordo com a fonte mencionada, a venda de 51% da Everllence proporcionou um impulso financeiro significativo. A transação teria avaliado a empresa em cerca de € 10 bilhões (aproximadamente R$ 59 bilhões), bem acima das estimativas iniciais.
No entanto, esse valor pode não ser suficiente para cobrir os custos de reestruturação e os investimentos futuros, razão pela qual alguns investidores já se perguntam quais outros ativos poderiam ser avaliados.
Assim, a Ducati volta a figurar entre as "joias da coroa". O jornal britânico explica que, após a venda bem-sucedida da Everllence, alguns consultores acreditam que propostas para a venda de ativos particularmente cobiçados do grupo podem ser retomadas, mencionando especificamente a Ducati ou até mesmo um possível IPO da Lamborghini.
Isso não significa que a Volkswagen tenha decidido vender a marca italiana. Aliás, o próprio jornal destaca que diversos analistas consideram improvável a venda de uma fabricante tão lucrativa e com uma imagem tão consolidada.
No entanto, o simples fato de a Ducati ter ressurgido nas discussões demonstra o quanto o grupo está analisando todas as alternativas para enfrentar um dos momentos mais delicados de sua história recente.
Em 2017, já havia sido revelado que a Volkswagen explorava diversas opções para a Ducati, incluindo uma possível venda, embora, no fim, a marca tenha permanecido dentro do grupo.
Desde então, a fabricante italiana só fortaleceu sua posição. Alcançou anos recordes tanto em vendas quanto em lucratividade, consolidou-se como referência tecnológica na MotoGP e no WorldSBK e continua sendo uma das marcas mais valiosas do ecossistema Volkswagen.
No momento, não há nenhum processo aberto para a venda da Ducati. A Volkswagen também se recusou a comentar sobre uma possível alienação de outras marcas do grupo e afirma que o destino do dinheiro obtido com a venda da Everlence será decidido posteriormente.
Imagens | Motorpasión Moto, Ducati, Volkswagen
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