Após forçarem a Huawei a fabricar tudo sozinha, os EUA agora encaram o resultado: um ecossistema que não depende do Ocidente

Com 1,2 bilhão de dispositivos conectados, a empresa conseguiu fazer de sua tecnologia o padrão industrial

HarmonyOS / Imagem: Composição com imagens da Huawei e Ricardo Aguilar para a Xataka
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin é jornalista.

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À primeira vista, o fato de a Midea lançar um ar-condicionado na China não chamaria a menor atenção. No entanto, o Midea Air Horizon M5 esconde sob seu chassi a prova de que a Huawei está completando seu ecossistema, com o qual quer dominar toda a tecnologia chinesa. Dentro dele, há um chip da HiSilicon e uma versão nativa do seu sistema operacional.

É um lançamento que representa a validação final de uma estratégia que vem sendo construída desde 2019: a Huawei voltou com seus smartphones 5G, mas também está formando uma base tecnológica sobre a qual a gigantesca nação vem se apoiando. O fato de gigantes como a Midea construírem seus produtos sobre os alicerces dos Kirin e do HarmonyOS consolida um software que não depende do Ocidente.

Um chip próprio

A integração técnica do ar-condicionado da Midea demonstra por que a Huawei insiste em seus próprios semicondutores. O chip de IA da HiSilicon permite ao aparelho aumentar seu poder de cálculo em 700% e responder em apenas três milissegundos. Para que tanta potência em um split de parede? Para se integrar à estratégia 1+8+n da Huawei: o celular é o centro de tudo. É a mesma lógica de força bruta para o lar que vimos na sua primeira e impressionante Smart TV com HarmonyOS.

1,2 bilhão. O novo aparelho da Midea é apenas mais um em uma lista imensa que não para de crescer. O último relatório governamental confirmou que o OpenHarmony já opera em uma quantidade brutal de dispositivos. A imensa maioria não é de telefones Mate ou Pura do fabricante chinês, mas sim infraestrutura menos visível: medidores, eletrodomésticos e sistemas industriais.

A Huawei conseguiu fazer com que seu código seja o sistema nervoso da tecnologia que é lançada na China. Ao alcançar essa massa crítica, a empresa garante que qualquer desenvolvedor ou fabricante de hardware tenha que passar pelo seu crivo para ser relevante, criando uma inércia de mercado imparável.

Por que o OpenHarmony

O segredo dessa consolidação foi abrir mão do controle. Ao doar o código-base para a fundação OpenAtom, a Huawei transformou seu SO em um padrão neutro. Isso permite que empresas como a Midea o adotem sem sofrer danos colaterais das sanções dos EUA. Essa postura de “não é nosso” não só funcionou no mercado doméstico, como já é seu cartão de visitas em países vizinhos como a Coreia do Sul. Em março de 2025, mais de 1.000 produtos já haviam sido certificados com a contraparte de código aberto dessa plataforma.

Para que a independência se aproxime da totalidade, faltava à Huawei conquistar o desktop. No ano passado, ela apresentou o HarmonyOS PC, uma versão reconstruída desde o kernel para desafiar o Windows e o macOS no mercado chinês.

Com mais de 2.000 apps universais prontos e compatibilidade com periféricos, a companhia eliminou mais um tipo de produto da lista de equipamentos que ainda precisavam migrar para o ecossistema próprio. O HarmonyOS já abrange celulares, tablets, smartwatches, computadores, veículos elétricos, Smart TVs...

Em última instância, essa série de movimentos busca fechar o círculo da independência tecnológica. A Huawei fornece o design do chip, o sistema operacional e o protocolo de comunicação. Se, amanhã, os bloqueios comerciais se tornarem mais rígidos ou o acesso a padrões como o Bluetooth for restringido, dispositivos como esse ar-condicionado continuarão funcionando dentro do jardim murado da Huawei. Eles conseguiram criar um refúgio tão grande que vai do bolso até a parede da sala.

Imagem | Composição com imagens da Huawei e Ricardo Aguilar para a Xataka

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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