É duro, mas é verdade: fazer mais exercício não equivale automaticamente a estar mais em forma; entenda por quê

O segredo não está em passar muitas horas na academia, mas em como elas são distribuídas

Exercícios
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Durante décadas, a principal mensagem transmitida pela medicina foi de que o exercício físico deve ser uma prioridade. Acumular horas de atividade por semana tem sido o grande objetivo de muitos. No entanto, um novo estudo veio para virar isso de cabeça para baixo, passando a dar grande importância ao tipo de exercício e à variedade do “cardápio” de treino que seguimos quando vamos à academia.

O estudo, publicado no fim de 2025, apontou que combinar diferentes tipos de exercícios reduz o risco de mortalidade, independentemente de se praticar muito ou pouco exercício no total. A conclusão é que, em vez de dedicar muitas horas a um único exercício, vale a pena diversificar entre diferentes modalidades, reservando um tempo para cada uma delas.

Para chegar a essa conclusão, a equipe de pesquisa utilizou os dados de dois grandes grupos de pessoas, reunindo mais de 100.000 indivíduos, que foram acompanhados por mais de trinta anos. Dessa forma, por meio de diferentes questionários, a equipe media o tempo de atividade de cada uma das pessoas analisadas, estabelecendo um limite mínimo de 20 minutos de atividade por semana para considerar que alguém realmente a praticava e que isso era significativo.

O objetivo era buscar uma correlação entre os níveis de atividade, o número dessas atividades e, sobretudo, como os participantes chegavam à idade adulta e até mesmo quando morreram, no caso daqueles que não chegaram ao final do estudo.

Os resultados

A constatação mais marcante é que o grupo de pessoas que praticava uma maior variedade de exercícios apresentou 19% menos mortalidade total em comparação com aqueles que se limitavam a uma única rotina repetitiva. Mas o mais importante é que esse efeito positivo da variedade na atividade é independente do volume total de tempo investido na prática de exercícios.

Ou seja, o simples fato de o exercício ser variado tem, por si só, um efeito protetor, reduzindo entre 13% e 41% o risco de morrer por causas cardiovasculares, respiratórias, câncer e outras patologias.

O estudo também detalhou o impacto individual de cada modalidade, mostrando uma relação dose-resposta não linear, o que faz com que os maiores benefícios apareçam no início, quando passamos de não fazer nada para fazer alguma coisa. Dessa forma, os melhores esportes segundo a ciência são os seguintes:

  • Caminhada: 17% menos risco.
  • Esportes de raquete (como o tênis): 15% menos risco.
  • Remo e calistenia: 14% menos risco.
  • Levantamento de peso: 13% menos risco.
  • Corrida leve: 11% menos risco.
  • Ciclismo: 4% menos risco.

Como é lógico, esta análise apresenta limitações importantes, já que os dados foram autodeclarados pelos participantes por meio de questionários e a população analisada não era muito diversa, sendo majoritariamente branca. Por isso, é necessário investigar se esses percentuais podem variar de acordo com a demografia.

No entanto, o consenso é claro: assim como os nutricionistas vêm recomendando há anos que comamos um “arco-íris” de verduras diferentes, em vez de nos empanturrarmos apenas de espinafre, a ciência do esporte agora nos propõe uma dieta de movimento variada, na qual combinamos diferentes tipos de exercício no dia a dia.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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