Duas crianças de um povoado espanhol com 72 habitantes organizaram um torneio de chapinhas de garrafa: foi um sucesso com 500 inscritos

Começou como uma brincadeira entre amigos e acabou reunindo mais de 500 pessoas e prêmios generosos

Torneio de chapas
Sem comentários Facebook Twitter Flipboard E-mail
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator
victor-bianchin

Victor Bianchin

Redator

Victor Bianchin é jornalista.

2293 publicaciones de Victor Bianchin

O povoado de Villaco, na Espanha, tem menos moradores que uma escola de ensino médio. Pois bem, no último sábado, 15 de agosto, ele multiplicou sua população por sete em uma única manhã. O motivo: duas crianças decidiram ressuscitar o jogo de chapas e organizaram, quase sem saber, o evento do verão no Vale do Esgueva.

“Chapas” são tampinhas metálicas de garrafa, aquelas de refrigerante ou cerveja que precisam ser abertas com abridor. Nesse jogo tradicional espanhol, as tampinhas são usadas como peças de corrida: os jogadores as empurram com os dedos por um circuito, geralmente desenhado no chão ou montado sobre uma superfície, tentando completar o percurso no menor tempo possível sem sair da pista.

A competição começou às 10h com duas categorias: Infantil, para participantes de 10 a 13 anos, e Absoluta, de 14 a 99 anos. Durante toda a manhã, centenas de pessoas percorreram os diferentes circuitos em busca dos melhores tempos.

A ideia nasceu brincando. Gabriel e Argimiro são os responsáveis e ambos são moradores de Villaco, o município de Valladolid com apenas 72 habitantes. A ideia surgiu enquanto brincavam de chapas com amigos e familiares na cidade de Valladolid. Alguém fez a pergunta óbvia: por que não organizar um torneio de verdade? Os pequenos deram a ideia ao pai de Argimiro, que confirmou que eles passaram dois meses se preparando.

O resultado foi o I Concurso Nacional de Chapas. Isso mesmo, oficial. Realizado em 15 de agosto, entre as 10h e as 13h, as inscrições foram feitas por e-mail, com nome completo e idade, sem filtros de nível ou procedência. Quase 500 pessoas se inscreveram. Entre elas, Esther Gómez, a moradora mais velha do povoado, com 106 anos. Eles organizaram uma paella, uma food truck da Gohi's GastroClub e um bar de bebidas, além de contratarem Edu Preco, locutor oficial do Real Valladolid, para fazer a apresentação do evento.

Um estádio em miniatura

“Os circuitos ficarão em mesas altas, já que muitos moradores não podem deitar no chão para brincar e queremos que todos participem”, disse um dos organizadores e vice-prefeito, Alfredo Ruiz, que ficou responsável por construir pistas de areia, pequenas pontes, trechos com água e mesas elevadas. Na categoria infantil, Miguel Toquero venceu, seguido por Adriana Alonso e Eizán Núñez. Na categoria absoluta, a vitória ficou com Adrián Rey. O primeiro prêmio infantil incluía três ingressos para o Parque Warner de Madri, uma recompensa que provavelmente pesou mais na motivação dos participantes do que qualquer troféu.

O torneio foi organizado pelo prefeito de Villaco, Jesús Rey, junto ao presidente da Deputação de Valladolid, Conrado Íscar, entre outras autoridades. Na categoria Absoluta, o vencedor também levou de presente uma viagem para duas pessoas, com hospedagem e café da manhã em um hotel da Milha de Ouro do Vinho, além de uma experiência gastronômica, uma visita a uma das vinícolas participantes e outra visita ao castelo de Peñafiel.

Isaac Cuña, medalha de prata na competição absoluta, levou um lote de alimentos de Valladolid; Jesús Pollo, terceiro colocado, foi premiado com uma coleção de romances do escritor de Valladolid César Pérez Gellida, autor de sucesso de romances policiais, vencedor do Nadal e adaptado para a televisão com obras como Memento Mori (Amazon, 2023).

Das bolinhas de gude às chapas

As chapas fazem parte de uma tradição de recreio muito mais antiga. As bolinhas de gude são documentadas desde o Antigo Egito, com pequenas bolas de argila cozida encontradas em túmulos infantis de mais de 3 mil anos. E os mais velhos também participam: a petanca nasceu na Provença em 1910 como uma adaptação de um jogo de bocha para pessoas com mobilidade reduzida, e hoje são feitas transmissões e torneios internacionais com prêmios em dinheiro. Os dois jogos compartilham com as chapas o mesmo ingrediente: objetos pequenos, regras caseiras e um terreno irregular transformado em tabuleiro.

Gerações inteiras do pós-guerra espanhol brincaram com o que tinham à mão porque comprar um brinquedo era um luxo para quem vivia nas províncias. Daí surgiram as chapas, literalmente cápsulas metálicas de refrigerantes transformadas em peças de corrida, às vezes decoradas com fotos ou números de jogadores de futebol recortados e colados em seu interior.

O fato de Castela e Leão regulamentar ativamente o jogo de chapas — somente na província de Valladolid, 24 localidades têm autorização para organizá-lo durante a Semana Santa de 2026 — talvez dê margem para que outras comunidades façam o mesmo. Assim, não será preciso peregrinar até Villaco. 

Ainda não há confirmação oficial sobre uma segunda edição, mas a própria lógica do evento indica que ela acontecerá. Se Villaco repetir o evento em 2027, terá que começar a pensar onde colocar mais 500 pessoas em um povoado que, para começo de conversa, nem sequer tem um hotel.

Imagens | Tribuna de Valladolid

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


Inicio