A inteligência artificial cresceu tão rápido que seu próprio setor já alerta para a próxima crise: um déficit energético "significativo"

  • Elon Musk afirma que a indústria de IA enfrentará um enorme déficit energético até 2027;

  • Ele insta os líderes do G20 a acelerarem o processo de construção de mais usinas de energia, caso não queiram perder a fatia do mercado de IA

A inteligência artificial cresceu tão rápido que seu próprio setor já alerta para a próxima crise: um déficit energético "significativo"
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Fabrício Mainenti

Redator

Que a inteligência artificial precisa de uma quantidade enorme de energia para funcionar não é novidade. Há meses, o setor busca maneiras de garantir o fornecimento, e vemos como os projetos estão sendo direcionados para países com fortes setores de energia renovável e para a China, cuja indústria está prosperando justamente por causa dessa capacidade energética.

As grandes empresas de tecnologia querem continuar expandindo a infraestrutura, e já sabemos que o próximo passo (inferência) exigirá uma quantidade enorme de energia para operar. A questão é quanta, e embora Elon Musk seja alguém que fala tanto que perdeu o encanto, foi ele quem deu uma estimativa do que nos aguarda.

Um déficit energético brutal até 2027. Especificamente, 15 GW.

Os números não batem

Foi durante uma videoconferência na Reunião Ministerial de Inovação do G20, realizada esta semana, que o bilionário apontou que estamos "em uma verdadeira crise energética". O preocupante é que, segundo ele, "não é algo para um futuro distante: no próximo ano, teremos um déficit energético significativo".

Basicamente, segundo seus cálculos, a produção de chips de IA cresce entre 40% e 50% ao ano, mas a demanda por energia não acompanha esse ritmo. Fora da China, a capacidade elétrica mal aumenta de 10% a 20% anualmente, confirmando o que vários indícios vêm sugerindo há algum tempo: não há energia suficiente para tantos data centers.

A SpaceX vem ao resgate

Horas antes de discursar na reunião do G20, Musk mencionou que tinha um plano para suprir suas necessidades energéticas. Vale lembrar que ele está construindo alguns dos data centers mais ambiciosos do planeta e tem a SpaceX como seu trunfo. Afinal, se ele tem uma empresa que constrói foguetes espaciais, pode redirecionar algumas linhas de produção para fabricar componentes de turbinas a gás.

Segundo ele, a SpaceX pode acelerar o desenvolvimento de turbinas a gás, transformando-as em um divisor de águas, e ele pretende que a fundição de Bastrop, no Texas, fabrique as pás das turbinas. É a mesma instalação onde a Starlink é fabricada, e a ideia é acelerar e garantir o fornecimento de gás natural enquanto, por outro lado, a SpaceX e a Tesla aceleram a produção em massa de painéis solares.

Garantindo energia

Mas as empresas de Musk não são as únicas que buscam garantir energia o mais rápido possível. OpenAI, Amazon, Meta e Google também estão tomando medidas para garantir seu fornecimento, com exemplos concretos como o data center Hyperion da Meta, que exigirá uma dúzia de novas usinas a gás para operar de forma autônoma.

Já sabíamos que o Google tinha seus olhos voltados para usinas nucleares, e a Microsoft assinou recentemente um contrato de compra de energia de 20 anos para abastecer alguns de seus projetos. A Nvidia, por outro lado, está seguindo uma direção diferente. Se a empresa de Jensen Huang já se tornou a cola da indústria de IA, agora parece estar mirando em ser seu motor energético por meio de um investimento de US$ 2 bilhões (cerca de R$ 10,2 bilhões) na Lancium.

Esta é uma empresa especializada em tecnologia e infraestrutura de energia que projeta conexões de data centers em escala de gigawatts para cargas de trabalho com uso intensivo de energia. Ela fabrica essas redes para serem energeticamente eficientes, orquestrando a demanda de eletricidade para gerenciar as cargas de trabalho. Em resumo: ela ajusta o consumo à potência e às condições da rede, permitindo energia mais barata para os operadores.

Pressão

A mensagem de Musk não é inocente, pois ele não está apenas dizendo aos líderes mundiais que "há um problema", mas que "é problema de vocês". O motivo é que, durante a ligação, ele insinuou que a China possui os recursos energéticos para atrair investimentos e infraestrutura de IA e, além disso, que esse mercado aumentará a produção econômica global em 20% a 30%.

Em outras palavras, ele está sinalizando aos líderes mundiais que, se não quiserem perder de 20 a 30 trilhões de dólares (de R$ 102,4 a R$ 153,7 trilhões) anualmente, devem pressionar aqueles que precisam desses recursos para garantir que a energia global acompanhe o ritmo da produção de chips de IA.

Insegurança

Mas, além dos cálculos de Musk sobre o déficit energético, a verdade é que as necessidades do setor são enormes. A Agência Internacional de Energia já indica que o consumo global de eletricidade por data centers dobrará até 2030, passando de 485 TWh em 2025 para cerca de 950 TWh em 2030, mas resta saber se a oferta será suficiente.

Isso porque a produção de chips deve aumentar em escala em um ou dois anos, mas as conexões à rede elétrica levam muito mais tempo e, além disso, a localização desses data centers pode não ter a infraestrutura necessária para atender à demanda, causando problemas de fornecimento incompatíveis com os objetivos dessas grandes empresas de tecnologia.

Mas Musk também tem uma solução para isso: que os países "construam uma grande infraestrutura de geração de eletricidade e a disponibilizem para empresas de IA".

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