A busca por vida extraterrestre, em qualquer uma de suas formas, é uma das grandes obsessões do ser humano há décadas. Muitos já imaginaram como seria esse momento. Há quem pense neles como homenzinhos verdes, enquanto outros consideram algo mais modesto, como vida microbiana. A primeira possibilidade é claramente fruto da influência de Hollywood; a segunda é mais provável.
Mas, se há uma realidade clara, é que não estamos preparados para nenhum dos dois cenários. Aliás, mesmo pensando apenas nos microrganismos, o evento de encontrá-los além das fronteiras terrestres provocaria uma grande agitação geopolítica, a qual seria bastante difícil de administrar.
Três cenários
O Instituto de Tecnologia da Geórgia e a Universidade Tecnológica de Nanyang contam com três especialistas que acabam de publicar um artigo sobre o tema no The Conversation. Margaret E. Kosal, Dayana Alagirova e Karryl Kim Sagun Trajano afirmam que a descoberta de vida microbiana extraterrestre seria um marco científico, mas também um acontecimento político que poderia levar a três cenários.
Por um lado, existe a possibilidade de que os países colaborem entre si. Seria, sem dúvida, o mais recomendável. No entanto, não podemos descartar o segundo cenário, em que surjam rivalidades econômicas e tecnológicas entre o país responsável pela descoberta e os demais. Encontrar microrganismos no espaço poderia ser a chave para muitos avanços científicos benéficos, mas, dependendo de sua natureza, também poderia desencadear casos de bioterrorismo.
É daí que surge o terceiro cenário mencionado pelas especialistas: que os países abandonem qualquer acordo, por medo do que a vida extraterrestre encontrada possa chegar a fazer.
Antecedentes
No artigo, as especialistas mencionam antecedentes tanto para o primeiro quanto para o segundo cenário. Temos casos de colaboração no espaço, como a própria Estação Espacial Internacional e os sistemas de monitoramento de objetos próximos da Terra. Se um asteroide ameaçar atingir nosso planeta, será muito melhor que isso aconteça enquanto estivermos unidos.
Por outro lado, também temos casos históricos de rivalidade, como a competição provocada pelos primeiros marcos da corrida espacial entre os EUA e a União Soviética. A Guerra Fria chegou à ciência e poderia acontecer novamente entre outros países caso fosse descoberta vida extraterrestre microbiana.
Na publicação do The Conversation, também é feita referência às empresas privadas, citando a SpaceX como exemplo. O texto aponta que sua atividade, cada vez mais frequente e consolidada, dificulta a governança espacial porque torna mais difusa a linha entre o comercial, o civil e o estratégico/militar. Por exemplo, cerca de 60% de todos os satélites que atualmente orbitam a Terra pertencem à Starlink. Como essa é uma empresa privada (mas com aliados públicos), ela pode decidir por conta própria bloquear seletivamente o acesso à sua rede, de acordo com suas próprias prioridades ou interesses políticos. Isso beneficiaria seus aliados e dificultaria que os demais participassem das descobertas das quais eles pudessem participar.
Não sabemos se algum dia será encontrada vida extraterrestre. Já foram encontradas numerosas bioassinaturas em diferentes pontos do espaço, mas não há evidências sólidas de que elas estejam realmente relacionadas a processos biológicos. No entanto, não é nem um pouco descartável que esse momento chegue.
Se isso acontecer, os países precisam estar preparados para o que virá depois. Atualmente, temos um Tratado do Espaço Exterior que impede os países de se apoderarem de qualquer território fora da Terra. Isso, infelizmente, não inclui a própria vida extraterrestre. Seria necessário trabalhar em modificações desse tratado e, de quebra, preparar as diferentes nações para tudo o que uma descoberta como essa implicaria, tanto em nível científico quanto político e social.
Imagem | Magnific
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
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