A trilogia de James Cameron gerou US$ 6,7 bilhões nas bilheterias, mas mesmo assim, o futuro das duas sequências restantes é incerto. A Disney está considerando produzir os próximos filmes de forma mais econômica, e a atração do parque temático que foi anunciada com grande alarde há alguns meses pode não ser construída.
Números
Os números de 'Avatar: Fogo e Cinzas', o terceiro filme da franquia, são objetivamente colossais: US$ 404 milhões em bilheteria nos Estados Unidos, US$ 1,085 bilhão no resto do mundo e a terceira maior bilheteria de 2025. Um sucesso para qualquer franquia na Hollywood atual, mas a essa altura todos nós sabemos que a saga de James Cameron não é um produto comum.
Decepção
A primeira maneira de moderar o entusiasmo é comparar a bilheteria com a de seus antecessores. O primeiro filme, de 2009, continua sendo a maior bilheteria de todos os tempos, com US$ 2,92 bilhões. O segundo, 'O Sentido da Água', é o terceiro, com US$ 2,34 bilhões. Comparado a esses números, 'Fogo e Cinzas' fica um bilhão de dólares abaixo. Ainda é um bom negócio (350 milhões de orçamento, mais 150 milhões em marketing), mas nem sequer é o filme de maior bilheteria de 2025, tendo sido superado por 'Zootopia 2', também da Disney, e 'Ne Zha 2'.
O The Wrap fez uma análise aprofundada da questão e destaca a opinião de Paul Dergarabedian, chefe de tendências de mercado da Comscore. O analista afirma que "'Fogo e Cinzas' arrecadou metade do que o primeiro filme arrecadou, e os preços dos ingressos em 2009 não eram os mesmos de 2025." Em março, durante o Saturn Awards, Cameron recebeu os troféus de Melhor Diretor, Melhor Roteiro e Melhor Filme de Ficção Científica pelo terceiro 'Avatar' e reconheceu que "para sermos bem claros, ainda nem decidimos se vamos seguir em frente."
Curtos e baratos
O The Wrap também conversou com fontes internas da Disney que confirmaram que discussões internas estão em andamento para tornar os próximos filmes "mais curtos e mais baratos". As datas de lançamento do quarto e quinto filmes (dezembro de 2029 e dezembro de 2031) e a resposta para como reduzir custos sem apagar a identidade de 'Avatar' não são fáceis de decifrar.
Por que eles são tão caros?
Alguns detalhes do processo ilustram por que "mais barato" pode ser uma complicação: por exemplo, a produção envolve pelo menos duas filmagens completas: uma para captura de movimento com atores e outra, em sua maioria digital, para definir a encenação, os movimentos de câmera e todos os elementos do universo gerado por computador. Como Cameron reconheceu, fazer o quarto e o quinto filmes juntos (como fez com o segundo e o terceiro) exigiria um investimento de cerca de US$ 800 milhões sem nenhuma mudança no método.
A figurinista Deborah Scott, indicada ao Oscar por seu trabalho no terceiro filme, ilustra a dimensão do problema. Cada figurino é desenhado, fabricado no mundo físico e, em seguida, "traduzido" digitalmente com a ajuda de animadores e técnicos. Esse processo se multiplica em cada filme, com centenas de personagens, criaturas e ambientes. Cameron se comprometeu publicamente a não usar inteligência artificial e a sempre priorizar o trabalho humano por trás do filme, o que também impede a redução de custos nessa área.
O que deu errado?
Por que o terceiro filme da saga Avatar não alcançou a marca de US$ 2 bilhões dos filmes anteriores? A equipe de Cameron afirma, segundo a mesma fonte, que a Disney lançou o filme de maneira muito semelhante ao segundo " três anos antes, mas com mais tempo de preparação: houve mais tempo entre os trailers e a estreia, o que permitiu que a expectativa aumentasse. Além disso, há obstáculos comerciais, como ser o filme mais longo da saga (197 minutos) e uma certa falta de merchandising e outras atividades relacionadas. Tudo isso contribuiu para um filme que poderia ter tido um desempenho melhor.
Califórnia acima de tudo
A incerteza vai além dos filmes: a Disney havia anunciado a construção de uma área temática de 'Avatar' no Disney California Adventure, com o objetivo de complementar a popular área de Pandora, existente desde 2017 no Animal Kingdom (Flórida). A construção estava prevista para começar em 2026, mas o fechamento planejado da atração 'Monsters Inc. Mike & Sulley to the Rescue', necessário para o início das obras, foi adiado para 2027. Um ano de atraso, por enquanto.
Jim Shull, especialista em parques da Disney, disse ao The Wrap que a franquia "como força cultural está esgotada. Ninguém está exigindo mais. Se 'Avatar 3' tivesse sido um grande sucesso e as pessoas estivessem clamando pelo quarto e quinto filmes, isso mudaria a situação. Mas não há muita demanda." Ele propõe uma alternativa muito mais óbvia: expandir as áreas de 'Zootopia', seguindo o sucesso da atração 'Zootopia: Hot Pursuit' na Disneylândia de Xangai. Além disso, existem questões logísticas: a atração aquática de 'Avatar' exigiu sua própria estação de tratamento de água complexa e cara.
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