O Monte Everest pode não ser a montanha mais alta que já existiu na Terra, após evidências que mostram a existência de um pico mais alto há centenas de milhões de anos

Vestígios indicam que antigas cordilheiras podem ter superado o Everest em altura 

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Natália P. Martins

Redatora
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Natália P. Martins

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O Monte Everest é conhecido como a montanha mais alta do mundo, com cerca de 8.849 metros de altitude acima do nível do mar. No entanto, evidências geológicas indicam que a Terra pode ter abrigado montanhas ainda mais altas há centenas de milhões ou até bilhões de anos.

As raízes das montanhas podem revelar sua altura

As montanhas se formam principalmente quando placas tectônicas colidem e empurram a crosta continental para cima. Esse processo também faz com que uma parte da crosta se aprofunde, criando uma estrutura subterrânea que funciona como a base da montanha.

O professor de geologia Alan Collins, da Universidade de Adelaide, na Austrália, explica que os pesquisadores estudam a estrutura da crosta terrestre para estimar a altura de antigas cadeias montanhosas.

Segundo o professor, ss sedimentos e as rochas preservados podem conter pistas sobre a extensão dessas formações, mesmo depois que os picos originais desapareceram.

Collins e a geoquímica Ziyi Zhu, da Universidade Curtin, comparam as montanhas a icebergs: a parte visível acima da superfície representa apenas uma pequena parcela de toda a estrutura. 

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De acordo com os estudiosos, quanto maior a montanha, mais profunda pode ser sua raiz na crosta terrestre.

Everest representa apenas uma parte da estrutura rochosa

Sob a cordilheira do Himalaia, a crosta terrestre pode alcançar cerca de 80 quilômetros de profundidade. Essa espessura ajuda a ilustrar a diferença entre a altitude de uma montanha e a dimensão de sua estrutura subterrânea.

Considerando uma altura aproximada de 9.000 metros para o Everest, o pico representa apenas cerca de 14% da espessura total estimada da crosta rochosa sob a região. Por isso, estimar a dimensão das raízes rochosas pode ajudar os cientistas a investigar o tamanho das montanhas antigas, mesmo quando elas já não existem.

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Cordilheiras antigas podem ter superado o Himalaia

Além do Himalaia, os pesquisadores apontam outras formações antigas como possíveis candidatas ao título de maiores cordilheiras que já existiram na Terra.

Uma delas é a cordilheira Trans Gondwânica, formada há aproximadamente 650 milhões de anos. Outra é a cordilheira Nuna, associada a processos geológicos ocorridos há cerca de dois bilhões de anos.

Essas formações são estudadas a partir de evidências preservadas na crosta terrestre. Como os processos geológicos transformam e desgastam as montanhas ao longo do tempo, reconstruir suas dimensões originais é uma tarefa complexa.

Qual foi a montanha mais alta da história da Terra?

Por enquanto, não há evidências suficientes para identificar com precisão a montanha mais alta que já existiu no planeta. Segundo Zhu, os dados disponíveis ainda não permitem estabelecer a localização exata nem a altitude máxima desses antigos picos. A pesquisa sobre as raízes das montanhas e a estrutura da crosta terrestre pode ajudar reconstruir parte dessa história.  

Imagens: Shutterstock

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