China lança de surpresa o foguete mais ambicioso de sua história

O Long March 12B é mais um dos rivais do Falcon 9 da SpaceX, o que evidencia o impulso que a China vem ganhando na corrida espacial

Long March 12B
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A China levou a sério a ideia de “quem chega primeiro, fica com ele”. Embora o Tratado do Espaço Exterior de 1967 estabeleça que nenhum Estado pode reivindicar soberania sobre a Lua, Marte ou qualquer outro corpo celeste, o que de fato se aplica é que as posições orbitais geoestacionárias e as faixas de frequência funcionam como uma espécie de “primeiro a chegar, primeiro a usar”.

O que isso significa? Que o país ou empresa que primeiro registra e coordena uma constelação ou uma posição com determinadas frequências garante prioridade de uso. Esse contexto ajuda a entender por que a SpaceX e a Amazon estão tão interessadas em lançar satélites em massa para a órbita baixa e também por que a China vem acelerando o ritmo nos últimos meses com seus foguetes em uma estratégia agressiva de expansão.

Tão agressiva que o país acabou de lançar de surpresa e em sigilo um foguete Long March 12B com um duplo objetivo: continuar alimentando sua constelação de satélites e demonstrar que seu foguete reutilizável pode competir com o Falcon 9 da SpaceX.

China e a corrida espacial

No dia 1o de junho, os operadores do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan, no deserto de Gobi, tiveram bastante trabalho. Na madrugada no horário dos EUA, um foguete Long March 12B partiu para a órbita baixa da Terra com uma carga de satélites que vai abastecer a megaconstelação Qianfan. A Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China declarou que o voo foi um sucesso. 

O Long March 12B é uma das respostas ao Falcon 9. Trata-se de um foguete reutilizável que possui um primeiro estágio projetado para pousar por propulsão em uma plataforma de recuperação em solo. Ele pode transportar 20 toneladas para a órbita terrestre baixa e este foi seu voo inaugural, embora nenhum teste de recuperação tenha sido realizado.

Com esse lançamento, fica notável que a estratégia espacial da China está em modo agressivo, com muitos lançamentos seguidos. O país vem passando por meses bastante intensos, com diferentes missões tanto em órbita baixa quanto em sua estação espacial Tiangong. Mas o interessante desse lançamento do Long March 12B é que as pessoas ficaram sabendo por meio das redes sociais.

Quando uma missão vai ser realizada, seja ela mais ou menos midiática, é feita uma série de avisos prévios tanto às autoridades internacionais que controlam o espaço aéreo quanto às que controlam o espaço marítimo, caso algo dê errado. No entanto, essa missão foi conduzida em absoluto sigilo, algo pouco comum tanto em programas governamentais quanto privados.

Isso demonstra que a China está acelerando o ritmo para “reivindicar” um espaço que só pode ser conquistado chegando primeiro. E obter essa fatia é essencial tanto no contexto de serviços ao usuário (internet via satélite, basicamente) quanto, principalmente, por motivos estratégicos e de soberania tecnológica.

Porque pode até parecer que empresas e governos querem apenas levar internet para todos os lugares, mas a estratégia é outra:

  • Controlar constelações e seus recursos orbitais significa controlar infraestrutura crítica como internet via satélite, observação da Terra e comunicações militares.
  • Há uma vantagem geopolítica em chegar primeiro a um espaço que o rival poderia querer ocupar com outro tipo de satélites. Ao chegar antes, você força os demais a jogarem no seu tabuleiro.
  • E o mais importante: esse espaço que se busca ocupar é finito. Todos querem garantir seu território o quanto antes.

No fim, esse voo “secreto” marca o número 647 da série Long March e é mais uma evidência de que a China está profundamente inserida em uma nova corrida espacial, competindo diretamente com os EUA.

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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