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A Tesla oferece promessas, a Boston Dynamics apresenta realidades: o Atlas deixa o laboratório para entrar nas fábricas

A empresa começa a produção em massa do robô humanoide

Atlas, da Boston Dynamics / Imagem: Boston Dynamics
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Victor Bianchin

Redator
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A Boston Dynamics apresentou a versão comercial do seu robô Atlas, não um protótipo nem uma demonstração técnica. A empresa descreve esse robô humanoide como um sistema de nível empresarial, projetado desde o início para ser fabricado, mantido e reparado de forma sistemática. Em comunicado oficial, a companhia ressalta conceitos como confiabilidade, serviço em campo e vida útil prolongada, uma forma clara de marcar distância em relação a abordagens mais experimentais.

Dessa forma, o Atlas dá o salto para o mundo industrial, com lançamento anunciado para 2026 e um roteiro que, dentro dos planos da Hyundai, aponta para uma capacidade de produção de até 30.000 unidades por ano. Enquanto isso, na Tesla, o Optimus continua em testes. Elon Musk havia projetado ter “milhares” de robôs humanoides trabalhando em fábricas até o fim de 2025, mas, até o momento, não há evidências públicas de que a empresa tenha alcançado esse objetivo.

Uma mudança anunciada com antecedência

A transição para um Atlas comercial vinha sendo preparada há algum tempo. Em 2024, foi encerrada oficialmente a fase do robô hidráulico, ativo por mais de uma década, para dar lugar a um design totalmente elétrico alinhado a uma implantação real. Essa decisão veio quando os avanços recentes em inteligência artificial aceleraram o treinamento e a entrada em produção de robôs complexos.

O salto industrial do Atlas se apoia em uma relação societária fundamental. O Hyundai Motor Group, acionista majoritário da Boston Dynamics, é também o primeiro cliente do robô humanoide. A empresa afirma que um primeiro desdobramento já foi concluído em 2025 e que uma frota adicional está prevista para ser enviada em 2026 ao Robotics Metaplant Application Center. A partir daí, o contexto de investimento industrial da Hyundai aponta para uma possível ampliação de escala, embora esses números apareçam como planos gerais e não como compromissos específicos ligados diretamente ao Atlas.

Pensado para ambientes humanos

O Atlas não foi concebido como uma máquina isolada dentro de uma célula fechada, mas como um robô capaz de se mover pelos mesmos espaços em que as pessoas já trabalham. Sua função mira tarefas de manipulação e apoio logístico em fábricas e armazéns, compartilhando o ambiente com trabalhadores humanos e outros sistemas automatizados. Para tornar isso possível, o design foi otimizado para a convivência, com mecanismos que permitem detectar a proximidade de pessoas e interromper a operação quando necessário.

Atlas

Para que um robô realmente se encaixe em uma fábrica, o tempo de funcionamento é tão importante quanto a tarefa que ele executa. O Atlas foi projetado para operar durante turnos padrão, com uma autonomia aproximada de quatro horas em uso típico. Quando a bateria se esgota, o próprio robô pode substituí-la de forma autônoma em menos de três minutos e voltar ao trabalho, o que permite pensar em ciclos contínuos de operação. O sistema de recarga, além disso, funciona com tomadas elétricas convencionais de 110 V ou 220 V, evitando modificações caras na infraestrutura.

O Atlas não foi pensado apenas para agir de forma autônoma, mas também para se integrar a sistemas de supervisão e controle em escala. Tecnicamente, ele pode operar de maneira autônoma, mas também por meio de controle remoto com realidade virtual ou tablet, além de ser gerenciado como parte de uma frota. Além disso, entra em cena uma colaboração com o Google DeepMind, voltada a integrar modelos do Gemini Robotics para acelerar o aprendizado de novas tarefas — uma capacidade que a empresa apresenta como parte de seu roteiro e não como uma função plenamente disponível desde o primeiro dia.

Imagens | Boston Dynamics

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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