Vinagre é ótima opção para limpar o banheiro, mas há ressalvas

Produto sozinho não tem a mesma eficácia dos desinfetantes

Vaso sanitário
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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No universo dos truques caseiros para a casa que fazem sucesso no TikTok ou no Instagram, um deles ganhou destaque especial: borrifar vinagre branco na base e ao redor do vaso sanitário. Esse método promete reduzir o mau cheiro, facilitar a limpeza de áreas com acúmulo de sujeira e até evitar manchas causadas pela umidade. Mas a pergunta é inevitável: funciona mesmo?

O mau cheiro é um dos principais motivos para recorrer a esse truque, já que ninguém quer entrar em um banheiro e sentir um cheiro desagradável. E, nesse caso, do ponto de vista dos mecanismos envolvidos, a ciência respalda esse método, embora com algumas ressalvas.

Por exemplo, o inconfundível cheiro de urina envelhecida se deve fundamentalmente à amônia, composto produzido quando a urease bacteriana hidrolisa a ureia presente na urina. Esse processo biológico não só provoca mau cheiro, como também eleva o pH do meio e causa a precipitação de sais, formando a temida “crosta de urina”. E é aí que o método funciona, porque a química ácido-base está do nosso lado. O vinagre transforma a amônia, que é volátil e tem cheiro desagradável, em íon amônio, que não tem odor.

Além disso, esse ambiente ácido dissolve os depósitos de fosfato de cálcio que formam o calcário, proporcionando uma sensação de maior limpeza. No entanto, é importante destacar que a literatura científica não comprova diretamente a eficácia do vinagre na base do vaso sanitário. Portanto, não podemos afirmar rigorosamente que esse método funcionará em todos os casos.

Os problemas

A desinfecção completa não será alcançada com o vinagre, pois ele não substitui uma limpeza profunda. O vinagre comprovadamente só consegue eliminar uma pequena parte de bactérias como S. aureus e E. coli, evidenciando que os produtos “naturais” são menos eficazes do que os desinfetantes comerciais.

Isso não significa, porém, que o vinagre seja inútil, pois uma mistura caseira preparada na hora e o vinagre a 50% podem alcançar reduções bacterianas significativas, sendo adequados para limpar superfícies cerâmicas e para o uso doméstico em geral, quando não é estritamente necessário eliminar todos os microrganismos.

O problema está na dose, pois, na diluição que empregamos habitualmente para limpar, o vinagre não tem efeito desinfetante. Para realmente desinfetar superfícies, o vinagre deve ser utilizado em uma concentração de pelo menos 5%. Os resultados melhoram substancialmente quando ele é combinado com ácido cítrico.

E os benefícios

Outro benefício atribuído ao vinagre nesse contexto é que ele evita o acúmulo de manchas causadas pela umidade. Nesse sentido, o que foi investigado é a possibilidade de inibir o crescimento do fungo P. chrysogenum — mas o vinagre foi completamente ineficaz contra o Aspergillus fumigatus. Para combater esses microrganismos, outros compostos naturais, como o óleo de melaleuca, demonstraram ser muito mais eficazes do que o vinagre.

Os especialistas recomendam limpar especificamente “ao redor” do vaso sanitário. Isso tem fundamento científico: ao dar descarga, forma-se uma “nuvem” de bioaerossóis, cuja concentração no ar depende da distância lateral em relação ao vaso e do tempo transcorrido após a descarga. Por isso, os especialistas recomendam priorizar sempre a desinfecção das superfícies mais próximas do vaso sanitário, onde esses aerossóis terão se depositado.

Se, no fim das contas, você decidir incorporar o vinagre à rotina de limpeza do banheiro, é importante nunca misturá-lo com água sanitária. Há um grande desconhecimento sobre quais substâncias nunca devem ser combinadas, e a água sanitária é incompatível tanto com o vinagre quanto com a amônia. Isso nunca deve ser esquecido, pois a combinação dessas substâncias pode liberar gases tóxicos prejudiciais à saúde.

Imagens | kaboompics (Pexels)

Texto traduzido e adaptado do portal parceiro Xataka Espanha.


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