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O silêncio da nova geração de magnatas da China expõe a tática secreta dessa elite invisível para dominar a economia global

Enquanto expandem empresas para todos os continentes, os novos bilionários chineses evitam aparecer na mídia, entrevistas e aparições públicas — e essa estratégia pode dizer muito sobre o momento vivido pela economia do país

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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A China continua sendo uma das maiores fábricas de bilionários do mundo, com cerca de 500 pessoas na lista da Forbes no último ano. Mas a nova geração de magnatas que vem surgindo no país tem pouco em comum com os empresários que marcaram as últimas décadas. Isso porque eles preferem o anonimato ao invés de se tornarem celebridades do mundo dos negócios. O perfil discreto não é por acaso: ele reflete um novo momento da economia chinesa, marcado por maior controle do governo sobre as grandes empresas e por um ambiente de incertezas que faz muitos bilionários evitarem os holofotes.

Os novos bilionários da China trocaram o mercado imobiliário pela tecnologia e pelo consumo

A ascensão dos bilionários chineses sempre acompanhou as transformações da economia do país. Nas décadas de 1980 e 1990, as maiores fortunas surgiram com a privatização de empresas estatais e a explosão do mercado imobiliário. Depois vieram os gigantes da manufatura, impulsionados pela entrada da China na Organização Mundial do Comércio, e, mais tarde, a primeira geração das big techs, como Tiktok e Alibaba.

Mas hoje a situação figura de uma forma diferente. Os novos bilionários são mais jovens, cresceram em um ambiente completamente diferente e construíram seus negócios em setores voltados ao consumidor. Segundo a consultoria Hurun, empresa que mapeia fortunas ao redor do mundo, mais de dois terços dessa nova geração acumulou fortuna com produtos de consumo, entretenimento e mídia. São fundadores de estúdios de videogames, redes de chá e café, fabricantes de colecionáveis e startups de inteligência artificial que alcançaram mercados internacionais rapidamente.

Essa mudança também aparece na velocidade com que essas empresas se internacionalizam. Se antes as companhias chinesas levavam anos para expandir suas operações para fora do país, hoje muitas já nascem pensando no mercado global. Algumas, inclusive, dependem mais das vendas no exterior do que do próprio consumidor chinês, que vem reduzindo o ritmo de consumo nos últimos anos.

O anonimato virou uma estratégia para sobreviver em um ambiente de incertezas

Apesar de movimentarem bilhões de dólares, muitos desses empresários permanecem praticamente desconhecidos. Um dos exemplos é o de Liang Wenfeng, fundador da DeepSeek. Embora sua empresa tenha alcançado uma avaliação bilionária e ele tenha se tornado um dos homens mais ricos da China, ele quase nunca concede entrevistas, evita conferências e não possui muitos registros públicos de sua rotina.

Esse comportamento não é uma exceção: ele se tornou comum entre os novos magnatas chineses. Diferentemente das antigas gerações, os empreendedores atuais preferem permanecer longe da exposição. Essa tática começou após o endurecimento da postura do governo chinês em relação às grandes empresas de tecnologia e às fortunas privadas. 

Além dessa questão, a crescente tensão econômica entre China e Estados Unidos também é um fator que pesa. Empresas altamente internacionalizadas estão mais vulneráveis a mudanças regulatórias, restrições comerciais e disputas geopolíticas que podem alterar os planos de expansão de uma hora para outra. Nesse contexto, manter um perfil discreto passou a ser visto como uma forma de reduzir riscos e preservar os negócios. Ou seja, o “silêncio" dessa nova geração pode ser menos uma questão de personalidade e mais uma estratégia empresarial.

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