1987. Thomas Knoll, estudante da Universidade de Michigan, enfrentava um problema: seu Macintosh Plus não exibia imagens em tons de cinza corretamente. Não era um problema crítico, que o impedia de trabalhar, mas o incomodava o suficiente para que ele abrisse um editor de código e começasse a corrigi-lo. É o tipo de coisa que engenheiros fazem quando algo não está funcionando como deveria: escrevem algumas linhas de código, corrigem o problema e seguem em frente. Thomas Knoll jamais imaginou que não conseguiria parar.
O que começou como uma solução improvisada para um bug na tela se tornou um programa, depois um produto, em seguida uma aquisição multimilionária e, finalmente, a ferramenta que mudou para sempre a edição de fotos.
O que acontece quando seu irmão trabalha com George Lucas?
O programa que Thomas Knoll desenvolveu em seu tempo livre se chamava "Display". Ele fazia exatamente o que o nome prometia: o Mac Plus só entendia preto e branco, sem tons de cinza, e o Display manipulava os pixels para enganar o olho e simular tons intermediários onde eles tecnicamente não existiam.
O próprio Thomas achava que o código "tinha valor limitado, na melhor das hipóteses". Era uma distração, um capricho de engenheiro; o tipo de projeto sobre o qual você nunca mais fala. A história teria terminado aí se não fosse pelo fato de Thomas ter um irmão com um emprego bastante incomum: John Knoll chefiava o departamento de efeitos especiais da Industrial Light & Magic, a empresa de efeitos visuais de George Lucas responsável por Star Wars, Indiana Jones e praticamente tudo o que parecia impossível de filmar na época.
Thomas Knoll
John enxergou o potencial do que seu irmão havia construído muito antes de Thomas. Juntos, eles transformaram o "Display" em um editor de imagens completo, renomearam-no para ImagePro e, finalmente, para Photoshop.
Em outubro de 1988, eles concluíram a primeira versão alfa, o Photoshop 0.63, mas nunca a lançaram ao público. A Adobe notou o projeto, negociou com os irmãos Knoll e comprou o programa. Em 19 de fevereiro de 1990, ele foi lançado como Adobe Photoshop 1.0, exclusivamente para Mac.
US$ 895, 2 megabytes e uma revolução para profissionais
A primeira versão do Photoshop rodava no Mac System 6.0.3 e tinha um preço inicial muito alto: US$ 895. Não era um software para o usuário doméstico comum. Foi projetado para designers gráficos, agências de publicidade e veículos de comunicação. Uma análise da InfoWorld da época descreveu o Photoshop como:
Um programa relativamente grande que ocupava cerca de 2 megabytes.
Hoje, 2 megabytes não são suficientes nem para uma música de três minutos ou alguns ícones de aplicativos. Mas o que realmente fez a diferença foram as ferramentas que ele oferecia. As ferramentas Laço e Varinha Mágica permitiam aos usuários selecionar e manipular elementos de uma imagem com uma precisão que, até então, era exclusiva da câmara escura e do trabalho manual de um retocador profissional.
O que antes exigia horas de técnica fotográfica tradicional agora podia ser feito na tela, em minutos, sem sujar as mãos com produtos químicos. Os profissionais o adotaram com uma velocidade que a Adobe provavelmente não havia previsto.
Três décadas depois, ele continua sendo o padrão
O Photoshop passou por mais de duas dúzias de versões, desde ser vendido em caixa até operar como um serviço de assinatura dentro da Creative Cloud, e de ser exclusivo para Mac a também estar disponível para iPhone com recursos de nível profissional.
Surgiram concorrentes de peso, como o Pixelmator Pro dentro do Apple Creator Studio, mas para a maioria dos profissionais, o Photoshop continua sendo a referência, sendo seu nome até usado como verbo quando alguém retoca uma imagem. Em 2013, a Adobe doou o código-fonte do Photoshop 1.0 para o Museu da História da Computação, um gesto simbólico para fechar o ciclo do programa. O programa nasceu da frustração de um aluno com sua tela em preto e branco, simplesmente porque um Mac Plus não exibia tons de cinza corretamente.
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