Em movimento histórico, Sony cede sua marca Bravia à chinesa TCL — a explicação: enfrentar a Samsung

A TCL controlará 51% da nova joint-venture

Sony e TCL anunciam parceria / Imagem: TCL, Xataka
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Se você sentiu um tremor e não sabe de onde vem, o mais provável é que venha do Japão. Mais especificamente, da sede de uma Sony que passou décadas sendo associada à excelência em qualidade de imagem e que acaba de ceder o controle de sua marca Bravia à empresa chinesa TCL.

A Sony sempre foi uma gigante no segmento de TVs. Desde os tempos da tecnologia Trinitron até as Wega e as atuais Bravia, a gigante japonesa conquistou um merecido espaço no segmento premium. Não fabricava seus próprios painéis (comprava da Samsung e da LG), mas os ajustava para oferecer experiências cinematográficas muito puristas.

Do outro lado do mundo, na China, a TCL cresceu nos últimos anos até se tornar uma das maiores fabricantes de painéis. Agora, chineses e japoneses unem seus caminhos por meio de uma empresa conjunta que se beneficiará “da tecnologia de áudio e imagem de alta qualidade que a Sony cultivou ao longo dos anos”.

E as contas são favoráveis para a TCL: enquanto a chinesa controlará 51% da joint venture, a japonesa ficará com 49%. 

Por que a joint-venture pode ser boa para os dois lados

Embora as TVs da Sony contem com painéis de enorme qualidade e modos muito indicados tanto para cinema quanto para videogames, o mercado tem se complicado cada vez mais.

O valor da marca Sony e o peso do seu nome fazem com que seus televisores sejam mais caros do que os da concorrência, e essa concorrência (liderada por Samsung e LG) aperta mais do que nunca graças às tecnologias OLED e QD-OLED. A TCL também não fica atrás.

Após um enorme investimento em fábricas dentro da China, a empresa se especializou na manufatura de painéis Gen 10.5. Isso implica uma capacidade de produção gigantesca, o que se traduz em uma habilidade como poucas outras de inundar o mercado com televisores de grande porte a preços muito baixos.

É aí que a joint-venture faz todo o sentido. Em seu comunicado, a Sony confirmou que a nova companhia operará em nível global e realizará todo o processo: desenvolvimento, design, fabricação, logística, venda e atendimento ao cliente, tanto para televisores quanto para equipamentos de áudio doméstico.

Esse nome “Sony” e “Bravia” é uma oportunidade perfeita para a TCL, que passa a operar uma marca de prestígio internacional. Por sua vez, a Sony ganha um músculo que não tinha até agora graças a uma das empresas mais fortes na produção de painéis em grande escala.

Claro, além desses 51% contra 49% da Sony e da possibilidade de usar seu nome, a TCL ganha algo mais: penetração no Japão, um mercado protecionista que prioriza marcas japonesas, sobretudo em relação às vindas da China.

A empresa japonesa comentou que, no fim de 2026, serão fechados os detalhes dos acordos vinculantes entre as duas, com objetivo de iniciar as operações em abril de 2027.

Embora essa seja uma operação interessante no conjunto, a TCL é quem sai claramente ganhando: conquista credibilidade premium sem ter que construí-la do zero, enquanto a Sony dilui justamente aquilo que tornava sua marca valiosa.

Imagens | TCL, Xataka

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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