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Se a pergunta é o que Singapura, Itália, Suíça, Grécia e Hong Kong têm em comum, a resposta é: os milionários as adoram

  • Um novo relatório aponta vários países europeus entre os destinos mais atraentes para os ultrarricos;

  • Alemanha, França, Noruega e Reino Unido perderam terreno devido a incertezas políticas e fiscais;

  • Se a questão é quanto dinheiro você precisa para ser feliz na Espanha, um estudo traz a resposta: o dobro do que você ganha atualmente

Se a pergunta é o que Singapura, Itália, Suíça, Grécia e Hong Kong têm em comum, a resposta é: os milionários as adoram
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Fabrício Mainenti

Redator

Onde você moraria se dinheiro não fosse problema? Alguns poderiam dizer que iriam para o campo — longe da internet — para cuidar de uma horta e criar algumas galinhas (alerta de spoiler: dá muito trabalho), mas a realidade é bem diferente.

Os milionários do mundo têm outras preferências, e um relatório recente da empresa Henley & Partners esclareceu bastante essa questão. Acontece que os milionários não se importam muito com o campo, hortas ou galinhas; eles preferem outros destinos.

O relatório

O "Henley Private Wealth Migration Report 2026" mede a competitividade estrutural dos países em atrair e reter a riqueza de milionários. Cada país recebe uma pontuação de zero a 100 com base em vários fatores, como tratamento fiscal, qualidade de vida, estabilidade geopolítica, entre outros. Quanto maior a pontuação, mais "atraente" é o país para viver, investir ou alocar capital

Curiosamente, essa métrica é chamada de "Wealth Mobility Competitiveness Score" (Pontuação de Competitividade em Mobilidade de Riqueza) — o que soa muito mais sofisticado do que "índice de competitividade em relação à mobilidade de riqueza".

Vista panorâmica de Singapura | Imagem: Song Kaiyue Vista panorâmica de Singapura | Imagem: Song Kaiyue

Um cantinho em Singapura...

Segundo o relatório, o país mais atraente para milionários é Singapura, com uma pontuação de 79,5. A empresa argumenta que isso se deve à "estabilidade política, instituições robustas, mercados de capitais profundos e demanda sustentada por riqueza com mobilidade internacional em toda a Ásia" do país. Sua proximidade com Hong Kong e a China claramente impulsiona seu apelo econômico.

...outro na Nova Zelândia...

Com uma pontuação de 75,8, a Nova Zelândia atrai investidores graças ao "relançamento de seu Programa de Visto Active Investor Plus, um ambiente jurídico e regulatório estável, estabilidade geopolítica e sua posição como um porto seguro, longe de zonas de tensão geopolítica", conforme afirma o relatório.

Vista panorâmica do Monte Cook em Canterbury, Nova Zelândia | Imagem: Donovan Kelly Vista panorâmica do Monte Cook em Canterbury, Nova Zelândia | Imagem: Donovan Kelly

...e, claro, passar o verão nas Ilhas Cayman

Não é por causa de suas praias, da beleza do Castelo Pedro St. James (hoje um museu) ou da atmosfera agradável da Seven Mile Beach, mas sim — segundo o relatório — por ser "uma jurisdição líder em estruturação de patrimônio, apoiada por uma estrutura de neutralidade fiscal, segurança jurídica e um ecossistema sofisticado de serviços financeiros". Essa é a vantagem de ser um paraíso fiscal: permite alcançar uma pontuação de 74,3.

Os outros concorrentes

Ao todo, 16 países obtiveram 70 pontos ou mais. Os três mencionados anteriormente lideram a lista, mas o forte desempenho de nações europeias — incluindo Chipre, Países Baixos, Itália, Letônia, Suíça, Grécia e Mônaco — é digno de nota.

O relatório destaca a Itália, em particular, como um "caso de sucesso", citando seu "regime de imposto de alíquota única (flat tax) para novos residentes, estrutura favorável de imposto sobre herança e acesso ao mercado da UE". Eis a lista dos países mais bem classificados:

Gráfico: Jose García para Xataka | Fonte: Henley & Partners | Baixar dados | Criado com Datawrapper Gráfico: Jose García para Xataka | Fonte: Henley & Partners | Baixar dados | Criado com Datawrapper

Os casos do tipo "sim, mas..."

O relatório também identifica países que implementaram mudanças políticas e regulatórias que estão "pressionando sua competitividade a longo prazo". Entre eles estão Alemanha (69,7), França (65,7), Noruega (69) e Reino Unido (68,3) — nações que debatem ou já implementaram impostos sobre grandes fortunas, ou que enfrentam incertezas políticas.

O caso mais marcante é o do Reino Unido, que "enfrenta pressões de competitividade iniciadas após o Brexit e aceleradas por reformas tributárias recentes".

O caso paradoxal dos Estados Unidos

O país é um grande gerador de riqueza, mas não é um local atraente para mantê-la. O motivo, segundo o relatório, é a "tributação baseada na cidadania, a complexidade fiscal e os longos prazos de processamento de pedidos de imigração". A empresa observa uma tendência de indivíduos de alto patrimônio líquido nos EUA desejando mudar-se para países europeus e, em menor grau, para a América Latina e o Caribe.

O que isso nos diz?

Mais do que uma simples curiosidade, este relatório pode ser visto como um sinal de alerta precoce para milionários. Um aumento na migração de indivíduos ricos pode sinalizar a saúde da política econômica de um país, enquanto uma saída significativa — como a observada nos Estados Unidos — indicaria o oposto. Dito isso, não é um indicador perfeito, nem deve ser interpretado como tal.

A equação "milionários indo embora" é igual a "país com desempenho ruim" não é tão simples assim; tais movimentos podem decorrer, por exemplo, de uma estratégia de diversificação de riscos. O relatório denomina isso de "portfólio soberano", embora, em sua essência, o conceito reflita algo mais simples: a falta de raízes.

Detentores de grandes fortunas não sentem um forte vínculo com seu país de origem; em vez disso, diversificam suas residências, cidadanias e interesses comerciais entre várias nações.

No entanto, trata-se de uma estratégia de visão limitada, baseada na premissa de que os Estados não mudam — uma premissa incorreta. O que parece vantajoso hoje implica, a longo prazo, uma dependência simultânea de múltiplos sistemas jurídicos e regulatórios — fatores que, em suma, aumentam o risco. Além disso, um "bom" país não se define apenas pela competitividade fiscal, mas também pela oferta de um sistema social robusto.

Imagem de capa | Diego F. Parra

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