Ford vai atrás de sua fatia do bolo no rearmamento europeu: uma Ranger militarizada 

A proposta se apoia na Ranger e na Ranger Super Duty, duas plataformas comerciais adaptáveis a usos de defesa

Ford Ranger
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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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A Ranger é a picape mais vendida da Europa há mais de uma década. E, agora, este veículo que costuma ser associado a cargas, reboques e jornadas longe do asfalto começa a aparecer em uma conversa muito diferente, a da mobilidade militar leve em uma Europa que está revendo como compra, mantém e emprega sua defesa.

Segundo o jornal Financial Times, a Ford quer competir pela renovação britânica dos veículos militares leves ao lado da General Dynamics Land Systems-UK e da Ricardo, com uma proposta baseada na Ranger e na Ranger Super Duty. A aliança não se limita a uma licitação do Ministério da Defesa do Reino Unido: a fabricante estadunidense pretende que essa base também sirva para vender veículos adaptados a outros aliados da OTAN. 

A Ranger desta história não é exatamente aquela que alguém pode imaginar ao ver a linha comercial da Ford. A candidatura se apoia na família Ranger, mas o foco, como podemos ver, está especialmente na Ranger Super Duty, uma versão concebida para usos profissionais pesados e para servir de base a transformações específicas. Na defesa, não basta que um veículo tenha aparência robusta: ele precisa ser capaz de transportar cargas, rebocar, receber modificações, ser mantido com certa facilidade e se encaixar em uma cadeia de peças e serviços que não dependa de uma solução criada do zero.

O que está em discussão é uma renovação de veículos leves que, durante décadas, desempenharam funções de transporte, apoio e ligação dentro das Forças Armadas do Reino Unido, com nomes tão antigos quanto Land Rover e Pinzgauer. A documentação de contratação situa a compra em 2 bilhões de libras e inclui não apenas veículos, mas também variantes, manutenção, treinamento e suporte durante sua vida útil.

O ponto mais interessante da reportagem do Financial Times é que a Ford não apresenta essa iniciativa como uma venda isolada. Seu argumento mira um mercado de defesa mais amplo, formado por países aliados que estão aumentando os orçamentos, renovando frotas e buscando coordenar melhor suas capacidades. Nesse contexto, a empresa tenta vender algo mais do que um veículo: uma base comum sobre a qual diferentes exércitos poderiam adaptar suas próprias versões sem perder totalmente a vantagem de compartilhar componentes, manutenção e suporte.

A proposta tenta se apoiar em uma vantagem pouco espetacular, mas decisiva em contratos desse tipo: não começar do zero. A Ford pode apresentar uma plataforma já produzida, uma cadeia de fornecedores existente e uma rede de manutenção que não depende completamente de um novo programa militar. A Ricardo (empresa britânica de engenharia e consultoria tecnológica) também destacou o papel de instalações britânicas como Dagenham e Dunton, enquanto a General Dynamics aparece como a parceira com experiência específica em defesa.

A Ford não está sozinha nesse movimento. A General Motors compete com a BAE Systems e a NP Aerospace na Team LionStrike, a Ineos Automotive se aliou à SMT Defence e à NMS UK sob a Team Grenadier, e a Babcock apresentou propostas baseadas em plataformas da Toyota, como Land Cruiser e Hilux. A lista ajuda a entender o momento: várias fabricantes e contratadas enxergam uma oportunidade de transformar veículos civis robustos em soluções militares leves.

Imagens | Ford From the Road

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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