Fable 5.1, o modelo de inteligência artificial (IA) lançado pela Anthropic há apenas dois dias, avançou ainda mais a fronteira que delimita as capacidades dessa tecnologia. Seus criadores afirmam que ele é seu modelo mais avançado para programação e raciocínio e os testes de desempenho corroboram essa afirmação. O índice obtido no Artificial Analysis (66 pontos em seu Intelligence Index com a configuração máxima) coloca o Fable 5.1 à frente do Opus 5, com 63 pontos, e do GPT-5.6 Sol, com 61.
Em outros testes, como Terminal-Bench v2.1 e SciCode, o Fable 5.1 também lidera. Neste momento, é o modelo mais sofisticado, mas sua chegada coloca em discussão algo muito mais importante do que sua potência: a fronteira da tecnologia de IA está se deslocando para tarefas complexas e agentes projetados para trabalhar durante longos períodos em programação, pesquisa e raciocínio avançado.
No entanto, esse modelo da Anthropic não é o melhor em tudo. Na verdade, o Artificial Analysis explica em seu relatório que o Fable 5.1 consome muitos tokens quando usado com o máximo esforço, o que faz com que custe 20% mais por tarefa do que o Fable 5. Isso representa um aumento de custo significativo.
Além disso, alguns dos resultados obtidos nos testes de desempenho são afetados pelos mecanismos de segurança, como a própria Anthropic reconheceu. Esse cenário nos lembra que o fato de um modelo ser o mais avançado não significa necessariamente que ele seja o mais competitivo ou o mais utilizado.
A China está jogando outra partida
A chegada do Fable 5.1 nos convida a refletir sobre o papel que ele desempenha na disputa tecnológica travada entre EUA e China. Alguns modelos chineses, como DeepSeek, Qwen, GLM, Kimi e MiniMax, chegaram muito perto das IAs estadunidenses mais avançadas em diversas tarefas. No entanto, a aposta da China é diferente da dos EUA. O país liderado por Donald Trump está dedicando muitos recursos para avançar constantemente a fronteira dessa tecnologia, mas a China prefere colocar os pesos nas mãos das empresas e dos desenvolvedores, permitindo que eles executem os modelos localmente.
Nesse cenário, podemos pensar que, se os EUA têm os modelos mais avançados, estão vencendo essa batalha, por mais que a China tenha conseguido chegar perto. No entanto, essa conclusão seria precipitada e resultado de uma simplificação excessiva. O país liderado por Xi Jinping não precisa ter o modelo de IA mais sofisticado para ganhar terreno. A corrida da IA de fronteira está sendo vencida, por enquanto, pelos EUA. Mas a China está vencendo outra corrida igualmente importante.
Sua aposta é ter os modelos mais baratos, personalizáveis e acessíveis com o objetivo de serem os mais utilizados e, assim, enfraquecer seus concorrentes estadunidenses do ponto de vista econômico. No entanto, há uma ressalva importante: o fato de um modelo ter pesos abertos não significa necessariamente que seu código-fonte esteja completamente aberto. Existem modelos abertos de origem estadunidense — mas o ecossistema de modelos de pesos abertos é hoje controlado pela China, porque é seu principal motor de crescimento.
Tudo o que analisamos até este momento parece nos levar à conclusão de que a China quer vencer essa guerra distribuindo a IA gratuitamente. Nada poderia estar mais longe da realidade. A princípio, a gratuidade ou a abertura de alguns modelos pode parecer uma estratégia pouco rentável, mas não será assim no médio prazo.
O que as empresas chinesas que desenvolvem modelos de IA estão conseguindo é criar um ecossistema em torno de suas propostas e desencadear uma dependência tecnológica que, presumivelmente, as colocará no futuro em uma posição de força diante de seus concorrentes estadunidenses. O modelo de negócios da China é muito diferente do dos EUA, é verdade, mas nem por isso deixa de ser um modelo de negócios.
Imagem | Gerada pelo Xataka com ChatGPT
Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.
Ver 0 Comentários