Você já se sentiu enjoado em carros elétricos, enquanto viagens em veículos a combustão não te trazem esse desconforto? A sensação, exposta com frequência por passageiros de modelos como Tesla e outros veículos elétricos, não é apenas uma impressão pessoal, mas um fato comprovado pela ciência.
Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a venda de carros elétricos e híbridos no Brasil cresceu 26% em relação ao ano de 2024. Com essa popularização acelerada dos veículos elétricos, pesquisadores começaram a notar um padrão: o enjoo é mais comum nesses modelos do que em carros a gasolina ou diesel. O mais surpreendente é que as pesquisas apontam que o problema não está no estômago, como a grande maioria pensa, e sim no cérebro, que tem dificuldade em interpretar os sinais de movimento desse novo tipo de veículo.
O cérebro gosta de previsibilidade, mas carros elétricos confundem o que eles já sabem
Em relação aos carros à combustão, os carros elétricos começaram a rodar pelas ruas mais recentes, e isso tem tudo a ver com o enjoo sentido pela grande maioria das pessoas dentro do veículo. Isso porque, durante a maior parte da vida, motoristas e passageiros aprendem, sem perceber, a “ler” o movimento de um carro a combustão. O som do motor aumentando, a vibração do veículo e até o movimento na troca de marchas já são conhecidos e funcionam como avisos antecipados de aceleração ou frenagem. É como se o cérebro usasse esses sinais para prever o que vai acontecer a seguir.
Acontece que, nos carros elétricos, esses movimentos praticamente desaparecem. O motor é silencioso, a aceleração é imediata e contínua, e o movimento acontece sem os avisos que a grande maioria está acostumado. Segundo um estudo publicado no Libraries Search, enjoo de movimento, essa falta de familiaridade faz com que o cérebro erre ao estimar as forças do deslocamento, criando um conflito entre o que os olhos veem, o corpo sente e o ouvido interno percebe.
Esse desencontro de informações sensoriais é o que provoca o enjoo. Quanto mais o cérebro tenta antecipar o movimento e falha, maior a chance de surgirem sintomas como náusea, tontura e mal-estar, especialmente em passageiros que não estão no controle do veículo.
Entenda por que a tecnologia dos veículos elétricos pode piorar o enjoo
Além da ausência do barulho do motor, um outro estudo publicado na Science Direct aponta outros fatores que contribuem para esse problema. Um dos principais é a frenagem regenerativa, tecnologia que desacelera o carro de forma contínua e prolongada para recarregar a bateria. Diferente da frenagem tradicional, ela gera uma desaceleração de baixa frequência, o que pode vir a provocar enjoo.
Um outro estudo publicado no International Journal of Human–Computer Interaction identificou que níveis mais intensos de frenagem regenerativa estão diretamente associados a um aumento do desconforto, especialmente para passageiros no banco traseiro. Outro ponto observado é a vibração do assento: em alguns modelos elétricos, esse padrão de vibração é bem diferente dos veículos a combustão, adicionando mais um elemento para o cérebro processar. Com isso, é como se o cérebro entrasse em pânico, e o corpo como resposta, interpreta como uma ameaça e produz sintomas de enjoo como resposta física.
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