O Cybertruck, aquela picape elétrica de design futurista e linhas angulosas que prometia revolucionar o mercado, tem sido um fracasso comercial. Depois de tentar empurrar seu modelo para o governo dos EUA com a desculpa de que seria um carro blindado (não é) e de sua outra empresa, a SpaceX, comprar os veículos para inflar os números, Elon Musk busca novos mercados para seu brinquedo fracassado.
Neste caso, ele escolheu um país onde o consumo de combustível não é um problema: os Emirados Árabes Unidos (EAU).
De meme nos EUA a símbolo de status no Oriente
Elon Musk prometia revolucionar o mercado de picapes elétricas nos EUA, um segmento essencial naquele país, onde os três carros mais vendidos há décadas são picapes. Após anos de atrasos, o resultado final foi um fracasso. A Tesla nunca chegou perto de vender o número prometido de meio milhão de unidades por ano.
Enquanto nos EUA as vendas despencam, com uma queda de 48,1% em 2025 (apenas 20.237 unidades vendidas frente às quase 39.000 de 2024) e um último trimestre catastrófico (68,1% a menos do que no ano anterior), nos EAU o modelo se transformou em um objeto de desejo.
Lá, a Tesla acabou de lançar oficialmente a picape, entregando cerca de 60 unidades em um evento especial. Seu preço inicial é de 110.000 dólares (R$ 580 mil), enquanto o topo de linha, o Cyberbeast de três motores, supera os 123.000 dólares (R$ 640 mil), um valor que, embora elevado, não desanima os compradores locais, acostumados a veículos de alto padrão.
Por que esse contraste? Em um país como os EAU, onde a gasolina é barata (graças à sua condição de grande produtor de petróleo) e a cultura do automóvel prioriza o luxo e a ostentação, o Cybertruck não é comprado por necessidade ecológica, mas sim por exclusividade e extravagância.
Antes da chegada oficial do modelo à linha local da Tesla, várias unidades já haviam sido importadas para o pequeno país do Golfo Pérsico. Assim, enquanto nos EUA o carro segue sem encontrar seu espaço no mercado, em Dubai e Abu Dhabi ele é um símbolo de status, quase uma escultura ambulante. Apesar disso, esse mercado é pequeno demais para compensar os números decepcionantes de vendas globais do carro.
Embora a Tesla aposte em levar o Cybertruck a novos mercados, o desafio continua sendo o mesmo: convencer os consumidores de que, para além de sua imagem disruptiva, ele realmente vale a pena. Por enquanto, nos EAU, seu sucesso parece garantido, ao menos como um capricho de milionários.
Este texto foi traduzido/adaptado do site Motorpasión.
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