Quem olhou para o céu na região metropolitana de Assunção no último sábado (10) viu algo que não faz parte da rotina da aviação comercial: o pouso pesado de um C-17 Globemaster III, uma das aeronaves de transporte militar mais robustas da Força Aérea dos Estados Unidos.
Mas o que chamou a atenção não foi apenas o avião, e sim o que ele trouxe na barriga. Diferente de visitas protocolares, o voo desembarcou no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi carregado com armas e munições reais.
A movimentação acendeu o alerta de curiosidade na região: por que os EUA estão enviando equipamento bélico e tropas de elite para o nosso vizinho sul-americano agora?
Não se trata de uma visita de fim de semana. A operação foi desenhada para durar seis meses. A bordo, além do arsenal (que as autoridades garantem ser para uso controlado), estava uma equipe do 7º Grupo de Forças Especiais do Exército dos Estados Unidos.
Este grupo é composto por especialistas em guerra não convencional e treinamento internacional. Ao todo, desembarcaram 12 militares norte-americanos (um oficial e 11 suboficiais) altamente qualificados. A missão deles? Treinar a elite do Paraguai.
Oficialmente, a operação faz parte do Programa de Respostas a Crises e Contingências. O alvo do treinamento são 40 militares do Batalhão Conjunto de Forças Especiais do Paraguai.
Ao contrário do que teorias da conspiração possam sugerir, a entrada das tropas e do armamento foi aprovada pelo Congresso Nacional paraguaio. O foco técnico do treinamento revela a preocupação com cenários de caos real:
- Medicina tática de combate;
- Respostas a desastres naturais;
- Operações de emergência em ambientes hostis.
A presença de militares norte-americanos na América do Sul sempre gera debates sobre soberania e influência geopolítica, ademais no contexto recente do que ocorreu na Venezuela. Enquanto o mundo olha para a Ucrânia ou o Oriente Médio, os EUA reforçam a interoperabilidade com aliados estratégicos no "quintal" do Brasil.
O acordo garante que as armas e munições trazidas pelo C-17 serão usadas exclusivamente dentro dos exercícios programados. Contudo, a presença de um C-17 e de Boinas Verdes por meio ano no Paraguai sinaliza que Washington quer garantir que seus aliados na região estejam prontos para algo mais sério do que simples exercícios de marcha.
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