Japão acaba de cruzar linha traçada desde a Segunda Guerra Mundial: China respondeu com mísseis supersônicos

Pequim está testando em campo como coordenar capacidades contra forças reais de Estados Unidos, Japão e aliados

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PH Mota

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Jornalista há 15 anos, teve uma infância analógica cada vez mais conquistada pelos charmes das novas tecnologias. Do videocassete ao streaming, do Windows 3.1 aos celulares cada vez menores.

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No início do século XX, durante a Batalha de Tsushima, a Frota Imperial Russa levou mais de sete meses para circundar metade do globo e confrontar o Japão. O resultado foi tão desastroso e rápido que várias potências repentinamente compreenderam uma ideia crucial: na região da Ásia-Pacífico, o controle do mar poderia determinar o equilíbrio global de poder muito antes do início de uma guerra em grande escala.

Mísseis supersônicos confrontando EUA e Japão

O Mar da China Meridional está se tornando um enorme tabuleiro de xadrez militar, onde Pequim quer deixar claro que está preparada para responder diretamente a qualquer tentativa de invadir sua esfera de influência.

Enquanto os Estados Unidos, as Filipinas e o Japão realizam as maiores manobras Balikatan dos últimos anos, a China respondeu com o envio de bombardeiros H-6 armados com mísseis supersônicos YJ-12, caças J-16 equipados com mísseis antinavio e diversos grupos navais ao redor de Luzon e do Atol de Scarborough. A mensagem é difícil de ignorar: Pequim quer demonstrar que pode mobilizar uma força aérea e naval pesada bem em frente a um bloco militar liderado por Washington e Tóquio, sem abrir mão da iniciativa na região.

Já parece um ensaio de guerra em torno de Taiwan

As manobras Balikatan mudaram drasticamente nos últimos anos. O que antes eram exercícios relativamente convencionais entre os Estados Unidos e as Filipinas se transformaram em simulações focadas em cenários marítimos, ataques contra grandes adversários e potenciais conflitos em torno de Taiwan e do Mar da China Meridional.

A participação integral das forças japonesas e a presença de navios australianos e canadenses refletem a extensão em que Washington está tentando construir uma rede regional capaz de responder à China em caso de crise. Pequim interpreta isso como ameaça direta, especialmente porque várias dessas manobras estão ocorrendo perto de rotas e posições que a China considera cruciais para proteger seu acesso ao Pacífico.

Japão cruzou linha simbólica

Há poucas horas, ocorreu um dos acontecimentos que mais irritou Pequim durante as manobras, e não foi apenas a presença dos EUA, mas o papel cada vez mais ativo do Japão. Pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, as forças japonesas lançaram um míssil antinavio Tipo 88 no exterior durante exercícios militares nas Filipinas, algo que a China interpreta como um claro sinal de "remilitarização" japonesa.

Embora o míssil possa ser usado para fins defensivos, Pequim acredita que o emprego desse tipo de armamento fora do território japonês mina os princípios pacifistas que Tóquio manteve por décadas após 1945. Além disso, o contexto agrava ainda mais as tensões: Washington também lançou mísseis Tomahawk das Filipinas usando o sistema Typhon, capazes de atingir alvos a centenas ou até milhares de quilômetros de distância, potencialmente incluindo a própria China continental. Para Pequim, essa é uma imagem perturbadora, pois reflete como o Japão, as Filipinas e os Estados Unidos estão começando a ensaiar juntos um cenário no qual os arquipélagos do Pacífico poderiam ser transformados em plataformas avançadas para ataques militares e dissuasão contra a China.

Dois bombardeiros H-6 armados sobrevoam Atol de Scarborough em tentativa de Pequim de demonstrar superioridade a Manila e aliados em meio aos exercícios Balikatan e disputas territoriais Dois bombardeiros H-6 armados sobrevoam Atol de Scarborough em tentativa de Pequim de demonstrar superioridade a Manila e aliados em meio aos exercícios Balikatan e disputas territoriais

Bombardeiros H-6 não são mais apenas propaganda

Voos de bombardeiros chineses sobre o Atol de Scarborough tornaram-se relativamente comuns, mas desta vez o detalhe importante foi o armamento. Os H-6 apareceram com uma carga útil maior de mísseis supersônicos YJ-12, projetados especificamente para atacar grandes navios e grupos navais.

Ao mesmo tempo, caças J-16 escoltavam o destacamento, enquanto navios chineses seguiam de perto a flotilha multinacional liderada pelos Estados Unidos e pelas Filipinas. Em outras palavras, Pequim está usando esses exercícios para demonstrar algo muito específico: em um hipotético conflito regional, tentaria sobrepujar e manter as forças navais dos EUA sob controle com quantidades massivas de mísseis antinavio lançados de terra, aeronaves e navios.

China está cercando Filipinas com várias camadas de pressão militar

Além de bombardeiros, a China mobilizou o grupo de ataque do porta-aviões Liaoning e diversos grupos de superfície armados com destróieres Tipo 055, considerados alguns dos navios mais poderosos da Marinha Chinesa.

Um desses grupos realizou exercícios com munição real a leste de Luzon, precisamente em áreas que os Estados Unidos e as Filipinas estão estudando como possíveis rotas de reforço em caso de guerra. A ideia estratégica chinesa está se tornando cada vez mais clara: tornar o ambiente marítimo filipino uma zona extremamente perigosa para qualquer tentativa dos EUA de movimentar tropas, suprimentos ou reforços em direção a Taiwan ou ao Mar da China Meridional.

Guerra naval está mudando por causa dos drones

Ao mesmo tempo em que exibe bombardeiros e porta-aviões, a China também está acelerando a adaptação de sua marinha a uma ameaça que transformou conflitos recentes, como o da Ucrânia e os ataques no Oriente Médio: os drones.

Pequim acaba de apresentar um novo sistema naval antidrone capaz de interceptar ataques furtivos de baixíssima altitude em ambientes complexos de guerra eletrônica. Os testes realizados no Mar de Bohai demonstram até que ponto a Marinha chinesa presume que os futuros confrontos navais dependerão não apenas de grandes navios e mísseis, mas também de enormes enxames de drones capazes de hostilizar ou destruir embarcações muito mais caras.

Mar da China Meridional está se tornando cada vez mais cheio de alertas

A combinação de bombardeiros com mísseis supersônicos, destróieres de última geração, porta-aviões, bases artificiais e sistemas antidrone reflete algo mais profundo do que meros exercícios militares.

A China está preparando um ambiente onde qualquer intervenção dos EUA em torno de Taiwan ou das Filipinas seria extremamente complexa, saturada de ameaças aéreas, marítimas e eletrônicas. Mais importante ainda, isso não é mais apenas uma demonstração de propaganda: Pequim está testando em campo como coordenar todas essas capacidades contra forças reais dos Estados Unidos, Japão e seus aliados em uma das regiões mais voláteis do planeta.

Imagem | CCTV

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