O feitiço virou contra o feiticeiro: estudantes criam tecnologia que vigia em tempo real os serviços de imigração e alfândega dos EUA

Estudantes de jornalismo criam mapas para monitorar a atuação de agentes de imigração dos Estados Unidos como forma de proteção e informação para comunidades imigrantes

Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos. Créditos: Shutter
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Laura Vieira

Redatora
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Laura Vieira

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Jornalista recém-formada, com experiência no Tribunal de Justiça, Alerj, jornal O Dia e como redatora em sites sobre pets e gastronomia. Gosta de ler, assistir filmes e séries e já passou boas horas construindo casas no The Sims.

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A imigração sempre foi um dos temas mais sensíveis e debatidos dos Estados Unidos, mas os números, sozinhos, raramente conseguem traduzir o que acontece fora das estatísticas oficiais. Nos últimos anos, o aumento dos fluxos migratórios, mudanças nas políticas de fronteira e o impacto direto nas cidades tornaram o fenômeno mais visível.

Ao mesmo tempo, a atuação dos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) passou a ser mais rígida, especialmente após o lançamento da chamada Operation Midway Blitz, uma operação federal de imigração lançada durante o governo Trump que intensificou prisões e abordagens. Com essa medida, as detenções deixaram de se concentrar apenas em aeroportos e regiões de fronteira e passaram a ocorrer em bairros residenciais, estações de transporte público e áreas próximas a escolas, alterando a dinâmica do cotidiano em diversas cidades e ampliando a sensação de incerteza entre os imigrantes e entre outros moradores que circulam por esses espaços.

Os números da migração nos EUA e o contexto por trás das rotas

O aumento recente dos fluxos migratórios nos Estados Unidos não aconteceu por acaso. Conflitos, crises econômicas, mudanças climáticas e a busca por trabalho seguem empurrando milhares de pessoas em direção ao país, enquanto políticas migratórias mais rígidas tornam as rotas cada vez mais complexas e perigosas. Ao mesmo tempo, cidades e estados americanos lidam com o impacto direto dessa movimentação, desde a pressão sobre serviços públicos até debates políticos que se intensificam cada dia mais no país.

Nesse cenário, os números costumam aparecer de forma fragmentada, muitas vezes reduzidos a estatísticas isoladas que pouco explicam sobre os caminhos percorridos ou as decisões por trás da migração. Entender esses fluxos exige olhar não apenas para quem chega ao país, mas também para como o Estado passa a atuar dentro do próprio território.

Estudantes de jornalismo criam mapas interativos para mostrar a localização de agentes federais de imigração

Manifestantes contra politica imigratória dos Estados Unidos. Manifestantes criticam abordagens violentas do ICE e pedem o fim de operações migratórias. Créditos: ShutterStock

Foi nesse contexto que estudantes de jornalismo da Loyola University e University of Chicago criaram mapas interativos capazes de transformar dados dispersos em visualizações acessíveis. Ao invés de focar apenas nas rotas migratórias, o mapa mostra onde agentes federais de imigração são avistados dentro das cidades, revelando padrões de atuação do ICE. 

O sistema funciona por crowdsourcing: qualquer pessoa pode reportar a presença de agentes, e os registros passam por verificação com base em metadados, fotos e coordenadas de GPS. O mapa não indica a localização dos agentes em tempo real, mas constrói um histórico visual detalhado de onde eles estiveram, destacando áreas mais frequentemente visadas por operações federais.

Os mapas são públicos, hospedados em sites de jornais universitários e atualizados continuamente. A iniciativa também se conecta à rede Eyes on ICE, que envia alertas por mensagem quando agentes são avistados em determinadas regiões. Na prática, a ferramenta se tornou uma forma de transparência e proteção comunitária, permitindo que moradores acompanhem a atuação dos agentes de imigração, marcada por episódios de violência, detenções em espaços públicos e ações que ampliam o clima de medo em comunidades imigrantes.

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