EUA colocam em operação nova arma eletromagnética para inutilizar satélites inimigos

O sistema não destrói satélites; em vez disso, busca degradar ou bloquear suas comunicações

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin

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Victor Bianchin é jornalista.

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Durante décadas, quando falávamos de armas contra satélites, a imagem mental era quase sempre a mesma: um míssil. Mas a guerra espacial nem sempre precisa de uma explosão para ser eficaz. Às vezes, basta agir sobre aquilo que não vemos: o elo que conecta um satélite a quem depende dele. É isso que torna especialmente marcante o mais recente passo dado pelos EUA. Não se trata de um sistema projetado para derrubar um objeto em órbita, mas sim algo que mira as comunicações.

Em 8 de junho, o Comando de Forças de Combate da Força Espacial dos EUA aceitou operacionalmente o Meadowlands, uma nova adição à sua família de sistemas de guerra eletromagnética. Não se trata de um programa isolado: a Força Espacial o descreve como uma atualização do Counter Communications System 10.2 e afirma que ele é capaz de detectar, bloquear, interromper e degradar capacidades inimigas em defesa ativa dos objetivos da força conjunta. Sua operação está a cargo da Mission Delta 3, unidade de Guerra Eletromagnética Espacial.

Um satélite não é apenas um objeto em órbita, mas uma cadeia de enlaces, antenas, estações terrestres e usuários que precisam se comunicar com ele. O Meadowlands atua justamente sobre essa parte menos visível do sistema. A L3Harris, contratada responsável pelo programa, descreve o Counter Communications System como uma plataforma terrestre móvel voltada para bloquear as comunicações de satélites em órbita e apresenta o Meadowlands como uma versão mais compacta e com maior mobilidade.

O Meadowlands se encaixa em uma transformação mais ampla dos conflitos no espaço. A Secure World Foundation classifica as capacidades antiespaciais em várias categorias, desde capacidades co-orbitais e mísseis de ascensão direta até guerra eletrônica, armas de energia dirigida e capacidades cibernéticas. Essa distinção é importante porque nem todas têm como objetivo destruir um satélite. Algumas, como a guerra eletromagnética, buscam degradar serviços, limitar comunicações ou interromper o acesso a uma capacidade espacial durante uma operação específica. A própria Força Espacial enquadra esse tipo de sistema nessa primeira linha invisível do espectro eletromagnético.

Quando uma arma antissatélite destrói fisicamente seu alvo, o problema não termina com o impacto: ele dá origem a uma nuvem de detritos que pode permanecer em órbita por anos. O Comando Espacial dos EUA afirmou que o teste russo de um míssil de ascensão direta contra o satélite Cosmos 1408, em 2021, produziu mais de 1.500 fragmentos rastreáveis. A NASA já havia documentado algo semelhante após o teste chinês contra o Fengyun-1C, em 2007, que gerou mais de 2.000 fragmentos identificados com cerca de 10 centímetros ou mais. O Meadowlands segue uma lógica diferente: agir sem acrescentar mais lixo ao ambiente orbital.

Quanto menos o Meadowlands se parece com uma arma antissatélite convencional, mais fácil é entender por que ele é importante. Seu valor não está em transformar um satélite em destroços orbitais, mas em atuar sobre a camada que permite que ele seja efetivamente utilizado em uma operação. Essa diferença ajuda a explicar a iniciativa dos EUA e também a mudança mais profunda que estamos vendo no cenário militar espacial. O campo de batalha não está apenas na órbita nem nos objetos que a percorrem. Ele também está nos sinais, nos enlaces e na capacidade de mantê-los funcionando quando eles são mais necessários.

Imagens | Força Espacial dos EUA

Este texto foi traduzido/adaptado do site Xataka Espanha.


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